Vincent Yu/AP
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Crise nuclear no Japão faz americanos repensarem distribuição de remédio

Instituições dos EUA querem que o governo estendam o raio de distribuição do iodeto de potássio

AP,

31 Março 2011 | 10h39

WASHINGTON (AP) - A crise nuclear japonesa reacendeu o debate sobre o papel do governo dos Estados Unidos na distribuição de um medicamento barato para o tratamento de câncer para pessoas que moram perto de usinas nucleares.

A Comissão de Regulamentação Nuclear faz com que o remédio, o iodeto de potássio, esteja disponível para locais até 16km distantes das usinas. Mas alguns políticos querem expandir está distância para 32 km. E a Associação Americana de Tiroide quer ir além, pedindo que o iodeto de potássio seja disponíveis em localidades até 320 km distantes destes locais.

O iodeto de potássio, se tomado poucas horas após a exposição à radiação, ajuda a diminuir o risco de câncer de tiroide por impedir que o corpo absorva o iodo radioativo. Ele é principalmente importante para as crianças, pois elas têm a glândula tiroide mais suscetível ao iodo radioativo.

A lei contra o bioterrorismo de 2002 dizia que a distribuição do remédio deveria ser estendida para um raio de 32 km das usinas, mas a administração Bush, em 2007, sinalizou que a lei permitia que o presidente adotasse outra forma de prevenção, caso uma medida considerada mais efetiva estivesse disponível. O conselheiro para a área científica da Casa Branca na época, John Marburger, concluiu que a melhor alternativa era a evacuação e interdição dos alimentos contaminados.

O presidente Barack Obama não reverteu a decisão da antiga administração. O porta-voz do governo para os assuntos da saúde, Dori Salcido, disse que o governo americano está aprendendo com o desastre japonês sobre como distribuir o iodeto de potássio. "Especialistas concordam que a melhor solução é evitar níveis perigosos de radiação evacuando as pessoas que moram próximas a estes lugares e monitorar as fontes de alimentos e água para níveis perigosos de radiação". disse.

A Academia Americana de Pediatria também concorda com a expansão da zona de distribuição do remédio para 32 km, revelou o Dr. Steve Krug, que preside o conselho consultivo para preparação contra desastres. "São as crianças que realmente precisam de mais proteção, e nossas reservas e estratégias não leva as necessidades delas em consideração", disse Krug.

Dr. Fres Mettler, radiologista da Universidade do Novo México, que conduziu um estudo internacional sobre os efeitos na saúde após o desastre nuclear de Chernobyl em 1986, disse que a distribuição do iodeto de potássio perto das áreas de risco é uma forma limitada de ação. "Eu acho que o foco sobre o iodeto de potássio está errado. Acredito que o principal foco deva ser direcionado para a cadeia de alimentos".

Milhares de casos de câncer de tiroide após o desastre de Chernobyl foram creditados à falha da União Soviética em impedir que crianças tomassem leite contaminado com iodo radioativo. Os defensores do uso do medicamento também citam o caso de Chernobyl para dizer que estudos comprovaram que o uso de iodeto de potássio reduziu a incidência de câncer de tiroide em crianças expostas à radiação.

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