Prefeitura do Rio de Janeiro/ Reprodução
Prefeitura do Rio de Janeiro/ Reprodução

Crivella pode suspender circulação dos BRTs caso circulem com passageiros em pé

Prefeito recomendou o fechamento de quiosques nas praias, para evitar aglomeração

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 12h34

RIO - O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou na manhã desta quinta-feira que pode suspender a circulação dos ônibus do BRT, sistema de veículos de trânsito rápido, caso eles continuem a realizar trajetos com passageiros em pé. A determinação é para que os ônibus só andem com passageiros sentados, assim como já havia sido imposto aos ônibus convencionais.

Para ajudar nessa operação, a Prefeitura determinou a ampliação do efetivo da Guarda Municipal nas estações do BRT e de fiscais nas garagens, a fim de atestar que todos os ônibus estão saindo regularmente.

A área da cidade mais afetada pelo novo vírus até aqui é a zona sul. Como os BRTs ajudam na ligação entre as zonas oeste e sul, a intenção é diminuir o risco de disseminação da doença para outras áreas - que, inclusive, são mais pobres que aquelas onde o vírus tem se propagado com mais facilidade. 

"Esperamos que isso (suspender o BRT) nunca ocorra, seria um fracasso nosso como sociedade. Porém, se fracassarmos, pode ser suspenso", comentou Crivella. 

Perguntado sobre a possibilidade de prender em flagrante motoristas que descumprirem a medida, o prefeito também disse que espera que isso não seja necessário, mas afirmou que há sim a possibilidade. “Acredito que, se houver o descumprimento do que prevê a lei, poderá ocorrer. Poderá vir a ocorrer. É crime, é desobediência. Espero que não cheguemos  a isso, que os guardas ocupem todas as estações para que os ônibus possam transitar só com pessoas sentadas.”

No caso dos ônibus convencionais, o prefeito afirmou que as empresas podem ser fechadas por 24 horas se descumprimem a medida. 

Outra medida anunciada por Crivella foi o fechamento dos quiosques da praia - que estão promovendo aglomerações. 

No campo da Educação, a secretária Talma Romero comentou o fato de a Prefeitura ter sido proibida pela Justiça de oferecer almoço nas escolas para alunos mais necessitados. Segundo ela, cestas de alimentação passaram a ser distribuídas hoje nas casas desses estudantes. 

Crivella minimizou a importância de realização de testes e falou para as pessoas focarem na própria consciência quando sentirem sintomas da doença. “Se hoje a pessoa está com febre e dificuldade de respirar, deve considerar que está com a covid-19”, disse. “Tem que ser prudente. Se tem sintomas, assume que está com a doença e se cuide. Não é o teste, é a minha prudência, minha sabedoria, minha inteligência.”

O Rio construirá um hospital de campanha para desafogar outros hospitais e liberar espaço para o atendimento a infectados pelo novo coronavírus. A unidade, que ainda não tem data de inauguração, ficará num pavilhão do Riocentro, espaço de convenções na zona oeste da cidade, e deve contar com 500 leitos.

A capital do Rio concentra 55 dos 65 casos confirmados no Estado.

O Estado do Rio confirmou nesta quinta-feira, 19, a primeira morte pelo novo coronavírus. 

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