Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

Crivella minimiza efeito do decreto de Bolsonaro: 'Não é impositivo'

Prefeito do Rio não vai reabrir academias e salões de beleza e disse que presidente 'vê o Brasil', enquanto ele, a cidade

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2020 | 15h06


RIO - Aliado do presidente Jair Bolsonaro, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, minimizou nesta quarta-feira, 13, a importância do decreto presidencial que classificou academias, salões de beleza e barbearias como serviços essenciais durante a pandemia do novo coronavírus. A Prefeitura já havia afirmado ontem que não reabriria esses locais.

"O decreto não é imperativo, impositivo, determinante", ressaltou Crivella nesta manhã. Segundo o prefeito, ele tem mantido contato com Bolsonaro, que "entende" a importância das medidas de isolamento adotadas em terras cariocas. "O presidente vê todo o Brasil, e nós estamos vendo o Rio. Temos 5 700 municípios no País, nem todos têm casos de coronavírus. A grande maioria não tem. Os mais difíceis são esses onde nós tivemos muitas pessoas viajando para o exterior no início do ano", apontou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que Estados e municípios têm autonomia para determinar as próprias formas de isolamento contra a covid-19. A divergência quanto às iniciativas para frear a propagação do vírus surge bem no momento em que Crivella e Bolsonaro mais se aproximam politicamente. Dois filhos do presidente - Carlos e Flávio - foram filiados ao Republicanos, partido do prefeito, de olho nas eleições municipais deste ano, na qual Crivella buscará a reeleição. 

Além do decreto desta semana e das medidas de fechamento como um todo, outros pontos soam contraditórios para quem se considera aliado de Bolsonaro. O Consulado da China no Rio doou 150 mil máscaras para a Prefeitura na semana passada, enquanto o governo federal já criou atritos com o país asiático no âmbito da pandemia. 

Perguntado sobre uma futura saída do isolamento, Crivella disse que isso só será possível no Rio quando houver leitos abertos e as curvas de contaminação da doença estiverem diminuindo. "Todos nós queremos (voltar à rotina), não há um carioca que não queira. Mas temos que voltar com o nível de infecção baixo, que não coloque em risco as pessoas com comorbidades e idosos, e precisamos ter leitos", afirmou. 

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