Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Cuidador de idoso é ocupação que mais cresce no País na década

Pesquisa mostra que número de profissionais passou de 5.263 em 2007 para 34.051 em 2017, alta de 547%; envelhecimento da população e redução no tamanho das famílias ajudam a explicar a alta

Fabiana Cambricoli e Paula Felix, O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2018 | 06h00

SÃO PAULO -Desde que se formou no ensino médio, Sheldon Patrick dos Santos, de 28 anos, sempre trabalhou com vendas ou eventos. Há um ano, insatisfeito com o tipo de trabalho que desempenhava e com a remuneração, decidiu mudar o rumo da carreira. Matriculou-se em um curso de cuidador de idosos e se apaixonou pela área. “Sempre gostei de trabalhar com idosos e vi que essa profissão estava em alta”, conta. A aposta deu certo. Santos já saiu do curso empregado. Foi contratado por uma casa de repouso da zona sul da capital paulista.

A história do jovem vem se tornando cada vez mais comum no País. Com o envelhecimento da população brasileira em ritmo acelerado, a ocupação de cuidador de idoso foi a que mais cresceu no País na última década entre 2,6 mil profissões pesquisadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

O balanço, feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base em dados do ministério, mostra que o número de profissionais do tipo passou de 5.263 em 2007 para 34.051 em 2017, alta de 547%. 

“Mesmo com o desempenho ruim da economia nos últimos anos, essa ocupação cresce porque há cada vez mais idosos no País e porque é um serviço de saúde, os últimos a serem cortados em cenário de crise. As famílias sacrificam outro tipo de consumo, mas mantêm os cuidados com a saúde”, explica Fabio Bentes, economista-chefe do CNC. “Os dados do MTE não consideram trabalhadores informais, somente os com registro em carteira ou estatutários. Mas deve ter muita gente atuando nessa área na informalidade”, opina o especialista. 

Crescimento do setor de cuidadores esbarra na falta de regulamentação

O crescimento e a formalização desse mercado esbarram na falta de regulamentação e na ainda escassa capacitação adequada dos profissionais. Como a ocupação ainda não foi regulamentada como uma profissão, não há regras claras sobre a formação mínima que deveria ser exigida nem qual seria o conteúdo obrigatório dos cursos. 

Um projeto de lei tramita na Câmara para criar e regulamentar a profissão de cuidador não só de idosos, mas de crianças e de pessoas com deficiência ou doença rara. Ele aguarda designação do relator. Há também um projeto de lei do Senado para determinar as atribuições de quem desempenha essa função. 

Sem a regulamentação, as atribuições e o perfil de quem desempenha essa tarefa estão descritos apenas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A orientação é de que devem ser contratados maiores de idade, que fizeram cursos livres entre 80 e 160 horas e que demonstrem empatia e paciência (mais informações abaixo). Entre as atribuições estão ajudar nas atividades diárias, observar o comportamento e estimular a independência. 

“O cuidador deve ficar atento à alimentação e ao risco de queda e tem de saber lidar com situações da vida de um idoso, que pode estar confuso, ter dificuldade para caminhar. Ele não deve infantilizar o idoso. Pode ajudá-lo a se vestir, mas não assumir a função”, diz Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

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