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Cuidadora responsável por vacinação clandestina usou documento falso para conseguir emprego, diz PF

Polícia investiga se mulher que se dizia enfermeira também estava envolvida em fraude na aplicação de doses dos imunizantes de gripe e pneumonia

Leonardo Augusto, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 22h02

BELO HORIZONTE - A cuidadora de idosos investigada por suposta vacinação de empresários contra covid-19 em garagem de empresa de ônibus em Belo Horizonte trabalhou como técnica em enfermagem em clínica do Rio de Janeiro e usou documento falso para conseguir o cargo, conforme investigação da Polícia Federal. A mulher não tem formação profissional na área. A corporação apura se houve aplicação de imunizante falso e também quem está por trás do esquema. 

A partir de novas apurações, a PF descobriu ainda que a cuidadora de idosos atuava com "atendimentos" para suposta vacinação em BH desde fevereiro, e não a partir de março, como apontado inicialmente. A PF identificou também que, antes de começar a oferecer o que seriam vacinas para covid, como no caso dos empresários da garagem de ônibus, a falsa enfermeira aplicou na capital mineira o que afirmava ser vacinas contra H1N1 (gripe) e pneumonia.

Não há qualquer comprovação, até agora, de que alguma das vacinas seja verdadeira. Em uma das diligências durante as investigações, a PF encontrou na casa da falsa enfermeira soro fisiológico, que a corporação acredita ser o que a mulher aplicava em seus clientes, e caixas de vacina para gripe.

Conforme a PF, todas as embalagens estavam vazias. A suspeita é de que as caixas tenham sido guardadas pela cuidadora de idosos por causa do trabalho que chegou a exercer na clínica do Rio, e que seriam utilizadas apenas como parte do "teatro" armado pela cuidadorapara conseguir manter o golpe por tanto tempo na capital mineira.

A vacinação da gripe ocorre anualmente, com imunizante diferente, pela mutação do vírus. A cepa para qual é feita a vacina de 2020, por exemplo, não é a mesma do imunizante a ser aplicado em 2021. Conforme informações do Ministério da Saúde, a vacinação contra gripe este ano começa na próxima segunda-feira, 12.

A zona sul de Belo Horizonte, que concentra a maior parte da classe média alta da capital, é onde a falsa enfermeira mais teria atuado, tanto com as supostas vacinas para covid-19 como para gripe e pneumonia.

Ao mesmo tempo em que apura o período do golpe, e obtém informações de que a cuidadora de idosos também oferecia supostos imunizantes para outras doenças, a PF investiga se outra pessoa, que não a falsa enfermeira, possa ter arquitetado o esquema. A suspeita surgiu a partir do depoimento da mulher.

A cuidadora chegou a ser presa no dia 30, mas foi solta no sábado, 2, por habeas corpus.  A atuação da falsa enfermeira em BH foi revelada pela revista piauí, em reportagem de 24 de março. Vídeos aos quais o Estadão teve acesso mostram uma mulher de jaleco branco em meio a carros na garagem da empresa, que fica no bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte.

Segundo as apurações da PF, a suposta vacinação na empresa ocorreu na segunda-feira, 22, e na terça-feira, 23. Pelo menos 80 pessoas no local passaram pelo procedimento. Funcionários informaram à reportagem do Estadão que a empresa faz parte do grupo de transporte Saritur, um dos maiores de Minas. Segundo a revista piauí, cada pessoa que contratava os serviços da falsa enfermeira pagava R$ 600 por duas doses da vacina contra covid.

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