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Cuide bem dos seus rins. Seu corpo e sua saúde agradecem

Exames simples e hábitos saudáveis ajudam no bom funcionamento dos rins. Campanha lembra que doentes renais podem viver bem

Baxter, Media Lab Estadão

11 de março de 2021 | 09h42

Quem sente algum mal-estar ou procura fazer a programação de um check-up anual costuma ter em mente alguns pontos de atenção, como as doenças do coração e o câncer de mama. Mas é pouco provável que os rins entrem no foco quando o assunto é saúde.  “O rim está lá, escondido, e as pessoas não costumam cuidar bem dele”, alerta Mario Ernesto Rodrigues, nefrologista e membro da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal.

Consumo de alimentos com grande concentração de sal, excesso de proteína na dieta, uma rotina de hábitos não saudáveis, baixa ingestão de líquidos, obesidade, hipertensão e diabetes são alguns dos fatores, segundo Mario Ernesto, que podem comprometer o bom funcionamento dos rins.

O Dia Mundial do Rim, neste ano em 11 de março (sempre na segunda quinta-feira do mês de março), entrou para o calendário como uma data para reforçar os alertas sobre a necessidade de cuidados com os rins e as formas de tratamento disponíveis para os doentes renais que dependem de algum tipo de diálise para compensar o seu mau funcionamento. Neste ano, o tema da campanha será “Vivendo bem com a doença renal”.

Por que cuidar dos rins

A evolução do mau funcionamento dos rins costuma ser silenciosa. Por isso, além de evitar as condições citadas pelo nefrologista, é preciso acompanhar a saúde do órgão por meio de alguns exames simples e baratos, como de sangue e de urina.

Mas por que os rins devem ser motivo de atenção? Eles têm uma série de funções, como:

- Limpeza de todas as impurezas, como as toxinas produzidas pelo corpo;

- Regulação da quantidade de água de que o nosso corpo precisa;

- Equilíbrio das substâncias minerais do corpo (sódio, potássio e fósforo);

- Produção e fornecimento de hormônios tais como a eritropoetina, que é essencial para a produção dos glóbulos vermelhos;

- Regulação da pressão arterial;

- Transformação da vitamina D em calcitriol, para ajudar na manutenção da estrutura dos ossos1.

Rins que não trabalham bem podem estar associados a outras doenças. Um dos papéis dos rins é controlar a pressão arterial. Se o órgão funciona de forma inadequada, altera a pressão arterial, da mesma forma que a hipertensão pode sobrecarregar os rins. Já o diabetes pode causar danos aos vasos sanguíneos do órgão2.

Quando algo não vai bem

Os números mostram que há uma parte expressiva da população com problemas nos rins. No mundo, a estimativa é de que 850 milhões de pessoas tenham doença renal3 – seria como somar as populações de Estados Unidos, Indonésia e Brasil. Por ano, a doença renal crônica (DRC) causa em torno de 2,4 milhões de mortes por ano. No Brasil, as projeções apontam que há cerca de 10 milhões de renais crônicos3.

Quando há perda progressiva da função do rim, o paciente passa a ter uma DRC, o que pode acontecer em anos, mas também em meses. Muitas vezes, pela falta de sintomas, só se busca o tratamento em estágios muito avançados. Nesses casos, as alternativas são as terapias de substituição renal, como a diálise e o transplante do rim4,5.  “O transplante, que pode ser com o órgão de um doador vivo ou falecido, é a meta do renal crônico, porque o livra da necessidade da diálise”, explica Mario Ernesto.

Tratamentos renais

Depois do aconselhamento médico e de exames, o nefrologista apresenta as opções de métodos para uma decisão que deve ser compartilhada.

No Brasil, um dos tratamentos para os doentes renais crônicos é a hemodiálise6. Em um procedimento de hemodiálise o paciente vai a uma clínica ou hospital (em média, três dias por semana) e é conectado a uma máquina que filtra o sangue, liberando o corpo de resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos e as toxinas produzidas pelo nosso corpo. O procedimento, que pode levar de três a cinco horas, ajuda a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina.

Outra forma de tratamento é a diálise peritoneal7. Ela é realizada todos os dias em casa, normalmente à noite, utilizando uma pequena máquina cicladora, que infunde e drena o líquido, fazendo suas trocas. Antes de dormir, o paciente conecta-¬se à máquina, que faz as trocas automaticamente de acordo com a prescrição médica. A drenagem é realizada conectando a linha de saída a um ralo sanitário e/ou recipiente rígido para grandes volumes. Durante o dia, se necessário, podem ser programadas “trocas manuais”8.

Cuidado personalizado

Os tratamentos são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tanto na hemodiálise quanto na diálise peritoneal. Neste caso, assim que o médico e o paciente escolhem a terapia, em uma decisão compartilhada, o pedido é encaminhado à unidade de saúde especializada para o envio da máquina para a casa do paciente. O nefrologista Mario Ernesto Rodrigues defende que a primeira opção para os DRCs seja a diálise peritoneal. Segundo o especialista, há uma série de vantagens, como poder fazer o tratamento em casa e sem a necessidade de um profissional de saúde.

“Depois de avaliado, o paciente implanta o cateter, faz o treinamento para usar a máquina e começa a fazer a diálise. O equipamento é pré-programado, então não há dificuldades de operação, independentemente de idade ou grau de instrução”, detalha o nefrologista. O paciente vai ter de ir apenas uma vez por mês a uma clínica ou hospital para fazer exames de controle, como sangue e urina.

Normalmente o paciente que fica ligado à máquina prefere fazer o procedimento à noite, enquanto dorme. É o caso de Ana Paula Frazão, de 45 anos, de São Paulo. Seus rins são policísticos, uma doença hereditária. Há dois anos sua rotina passou a incluir as sessões noturnas de diálise. No quarto, a comerciante se conecta todas as noites à máquina que cuida dos seus rins. Os procedimentos são simples, e ela garante que leva uma vida normal.

“Durmo, tomo banho, namoro. Estar ligada à máquina não me impede de levar uma vida normal. De manhã, acordo e estou pronta para ir ao trabalho. Minha vida social também não tem impedimentos. Vou a festas, viajo, mas sem deixar de fazer a diálise todos os dias.” Apesar de apontar uma fácil adaptação à diálise peritoneal, Ana Paula acredita que ainda há pouca divulgação sobre essa alternativa à hemodiálise. “Muitas vezes, falta informação entre os nefrologistas sobre essa alternativa de tratamento. Por isso, falta incentivo aos pacientes.”

Assim como Mario Ernesto, Ana Paula alerta para a necessidade de se ter mais atenção com a saúde dos rins. “Damos muita importância às coisas que fazem mal ao nosso coração quando se fala em saúde, mas não percebemos que uma falência renal é quase uma falência vital. Por isso, é preciso aprender a cuidar desse órgão.”

Referências:

1 https://www.sbn.org.br/o-que-e-nefrologia/compreendendo-os-rins/

2 https://www.portaldadialise.com/articles/hipertensao-e-doenca-renal#:~:text=O%20rim%20desempenha%20um%20papel,sangu%C3%ADnea%20dentr

o%20de%20valores%20normais

3 http://bvsms.saude.gov.br/ultimas-noticias/3138-12-3-dia-mundial-do-rim

4 https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-insuficiencia-renal-

cronica

5 https://www.sbn.org.br/orientacoes-e-tratamentos/tratamentos/transplante-renal/

6 https://www.sbn.org.br/orientacoes-e-tratamentos/tratamentos/hemodialise/

7 https://www.sbn.org.br/orientacoes-e-tratamentos/tratamentos/dialise-peritoneal/

8 https://www.sbn.org.br/orientacoes-e-tratamentos/tratamentos/dialise-peritoneal/

 

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