Cultivo de transgênicos cresce na Espanha e cai em toda a Europa

Oposição dos cidadãos e à preocupação pelo impacto ambiental explicariam queda

Efe,

07 de fevereiro de 2012 | 14h23

 O cultivo de organismos geneticamente modificados registrou um crescimento importante enquanto houve uma redução na maioria dos países europeus, segundo informação da organização Amigos da Terra.

Em 2011 foi autorizado o cultivo na União Europeia de dois tipos de transgênicos: o milho MON810 da multinacional Monsanto e a batata Amflora, da química alemã BASF.

A Espanha passou em um só ano de 67.700 hectares a 97.300 hectares de cultivos   de milho transgênico, após três anos consecutivos de redução da superfície dedicada a esse objetivo.

Outros países onde os cultivos cresceram, ainda que em menor medida que na Espanha, foram Portugal (que passou de 4.800 a 7.700 hectares) e a República Tcheca (de 4.800 a 5000 hectares).

O crescimento contrasta com a situação dos estados membros como Alemanha, onde desde 2009 não se cultiva mais o milho transgênico, ou Romênia e Eslováquia, que registraram redução considerável em um ano.

Por outro lado, o cultivo da batata Amflora, resistente aos antibióticos, caiu drasticamente nos dois países em que estava presente (Alemanha e Suécia).

Segundo o relatório, em toda a União Europeia a indústria biotecnológica destina ao cultivo de transgênicos um total de 110.000 hectares. O crescimento em 2011 desse tipo de cultivo foi de 0,1%, contra 4% do aumento da agricultura  orgânica.

Segundo a organização, nos últimos cinco anos a preocupação dos europeus pelo impacto dos transgênicos cresceu 66%. Por outro lado, o Greenpeace explicou que a queda do cultivo desses organismos na Europa se deve à grande oposição dos cidadãos e à preocupação pelo impacto ambiental.

O Greenpeace culpou a Espanha pelo "ligeiro" crescimento registrado no cultivo  dos transgênicos no ano passado. Os dados dos ecologistas coincidem com a publicação das estimativas anuais do cultivo de transgêncios por parte do Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agrobiotecnológicas (Isaaa, na sigla em inglês).

O documento, segundo o Greenpeace, confirma o fracasso comcercial dos transgênicos na Europa. Em janeiro passado, a multinacional BASF anunciou seus planos de deixar de desenvolver e comercializar os transgênicos na União Europeia devido à recusa da opinião pública, os agricultores e muitos governos.

Monsanto anunciou esse mesmo mês, por sua parte, que não venderá mais seu milho na França devido à inexistência no país de "condições favoráveis" a essa comercialização.

O único cultivo que continuará sendo em 2012 na Europa será o milho MON810, proibido em sete países (França, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungia, Luxemburgo e Bulgária).

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