REUTERS/Rahel Patrasso
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‘Dá angustia porque eles ficam isolados’

“A gente era informada por telefone sobre o estado dela. Não podia visitar. É duro demais.”

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2020 | 05h00

“A gente fica preocupada, porque os pacientes ficam no isolamento, sozinhos”, disse Sanderli Brito, irmã da aposentada Sonia Darch Brito, de 62 anos, internada no Hospital do Servidor Municipal da capital, com sintomas da covid-19. Depois que Sonia foi hospitalizada, dia 2 de abril, quando os exames apontaram febre continuada e as imagens dos dois pulmões esbranquiçados, compatíveis com a presença do vírus, começou a angústia dos parentes no acompanhamento à distância da paciente.

“Os pacientes não podem receber visitas nos hospitais, eles ficam isolados”, diz Sanderli, que também é servidora pública municipal, contando que a irmã foi bem tratada de modo geral. Sonia teve alta dia 8 e ainda se recupera da doença em casa, em Sapopemba, zona leste de São Paulo.

“Fizeram um atendimento exemplar com ela”, contou, referindo-se aos servidores e médicos do Hospital do Servidor Público Municipal na Rua Vergueiro. Sanderli comentou que após o primeiro diagnóstico de “sinusite”, dia 26 de março, a família desconfiou de contaminação por covid-19. Ela relatou que a família teve de insistir para refazer a primeira avaliação médica já que os medicamentos não estavam dando resultado e a febre não cedia por nada. “Tivemos uma bênção porque o médico nos ouviu e decidiu pedir novos exames. E aí foi constatado que, além do pulmão direito, ela já tinha os sintomas também no pulmão esquerdo”, contou.

Na entrevista ao Estado, ela lembrou que àquela altura dona Sonia havia piorado, tinha sangramentos nasais, febre alta e desconforto respiratório – sintomas característicos da covid-19. A irmã de dona Sonia argumentou no hospital que, para acompanhar o tratamento na internação, ela própria compraria os equipamentos de proteção individual (EPIs) para visitar a irmã. Mas o hospital não permitiu. “Entendo, porque o visitante também pode se contaminar”, disse. “A gente era informada por telefone sobre o estado dela. Não podia visitar. É duro demais.”

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