Dados reforçam risco de epidemia de dengue no Rio e Salvador

Ameaça foi detectada em áreas da periferia das cidades. Ribeirão Preto e Recife têm zonas de alerta

Fabiana Cimieri e Tiago Décimo, de O Estado de S.Paulo,

10 de novembro de 2008 | 03h07

 Os índices de infestação do mosquito da dengue em regiões do Rio, Salvador, Recife e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, estão em níveis de alerta, segundo dados dos próprios municípios, apontando para um novo aumento de casos da doença neste ano se não houver combate à água parada e limpa - ambiente ideal para a proliferação do inseto. A situação mais grave, que já representa risco de epidemia, ocorre em áreas pobres da zona norte da capital fluminense e na periferia de Salvador.  No entanto, até em Ipanema, área nobre da zona sul do Rio, a situação preocupa.   Veja também:  Especial: O avanço da dengue    Os dados foram colhidos durante o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), um importante instrumento de prevenção e controle da dengue, pois estima a porcentagem de imóveis em que há larvas do mosquito da dengue em uma determinada região. Valores menores do que 1% são considerados satisfatórios; entre 1% e 3,9%, sinal de alerta; acima de 3,9%, indicam risco de epidemia.   No dia 19 de novembro o Ministério da Saúde deve divulgar o resultado completo da pesquisa, que está sendo realizada em 169 municípios mais vulneráveis. Cerca de 30% deles já colheram dados. Neste ano, os casos de dengue no País cresceram 43% em relação a 2007, com 734 mil notificações.   Bairros da zona norte do Rio, como Coelho Neto, Complexo do Alemão e Ilha do Governador, estão com taxas de infestação por larvas do mosquito superiores a 4%, o que representa alto risco de epidemia. Bairros de elite, como Ipanema e Humaitá, na zona sul, e Barra da Tijuca e Recreio, zona oeste, apresentaram índices de alerta - entre 1% e 2%. Na Barra da Tijuca o índice é de 1,9%, e na Tijuca e Vila Isabel , 2,5%.   O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, promove hoje reunião com os prefeitos eleitos no Estado do Rio para falar sobre ações contra a doença.   Em Salvador, o índice caiu de 4,2%, alto risco de epidemia, para 3,4%, o que ainda corresponde a estado de alerta. A coordenadora Eliaci Costa reconhece que a cidade ainda poderá ter uma explosão de casos, em especial nas regiões de concentração de população carente. No Subúrbio Ferroviário, por exemplo, o Liraa chega a 6%, que indica alto risco de epidemia, assim como em Itapagipe, onde está em 4,1%. "Temos 1.315 agentes atuando nessas áreas, mas o acesso a imóveis fechados dificulta nosso trabalho."   Também em Pernambuco os casos de dengue tendem a crescer. Dos 184 municípios pernambucanos, 35% apresentam risco de epidemia ou alerta, caso do Recife, com 2,8%.   Em Ribeirão Preto, o Liraa foi de 1,3% em outubro, oscilando entre 0,32% em bairros da zona oeste e 3,3% em bairros centrais. "Apesar de relativamente favorável, esse resultado não é tranqüilizador", diz o chefe da Divisão do Controle de Vetores, Paulo Camarero. Em Araraquara (SP), que teve a sua primeira epidemia de dengue neste ano, o índice médio ficou em 0,64%, satisfatório - assim como o da capital paulista, de 0,06%.   Colaboraram Angela Lacerda e Brás Henrique

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