Datafolha confirma grave ameaça no atendimento pelos planos, diz APM

Federação e associação de operadoras se manifestam sobre resultados da pesquisa em SP

estadão.com.br com Agência Brasil

23 Setembro 2010 | 19h10

Segundo o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Curi, a situação vivida por médicos e planos de saúde já era conhecida, mas a pesquisa confirmou a grave ameaça no atendimento qualificado pelos planos.

Ele disse que a associação está discutindo o assunto há anos com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e com as operadoras, mas não tem encontrado solução. “É lamentável que as pessoas acabem dispondo de um contingente financeiro importante para garantir um atendimento mais abrangente para sua família e infelizmente não atinjam esse objetivo”, afirma.

Curi disse ainda que o baixo preço pago pelas consulta (de R$ 3,00 a R$ 4,00) também prejudica o atendimento. “Rápido nunca é bom, porque, para uma boa relação entre médico e paciente, é preciso entendimento, tempo para ouvir e entender melhor o problema, de forma a auxiliar e programar melhor o tratamento. Da forma atual, a relação médico-paciente está totalmente prejudicada”, avalia.

Para modificar a situação, o presidente da APM aponta como solução o debate nacional com a participação da população que tem plano de saúde e com pesquisas de satisfação que indiquem os principais problemas do ponto de vista do usuário. “É necessária uma revisão urgente da regulamentação dos planos e, se não há poder para a agência regular esse mercado, ele deve ser dado a alguém. Nós nos colocamos permanentemente abertos para negociar. Vamos levar isso ao Ministério Público Federal e pedir providências urgentes da área legislativa e governamental do País", completa.

Outro lado

Como gestoras dos recursos destinados à saúde privada, as operadoras consideram que o médico é soberano no diagnóstico e tratamento dos pacientes. A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade representante das operadoras, esclarece que suas afiliadas não fazem nenhuma restrição ao acesso a serviços como internações e exames, desde que estejam previstos nas coberturas contratuais dos planos e nas diretrizes determinadas pela ANS.

No ano passado, por exemplo, foram autorizadas 62 milhões de consultas e 146 milhões de exames em todo o País. A observância de critérios é fundamental para garantir o bom funcionamento do sistema e a assistência efetiva aos beneficiários.

A FenaSaúde representa 15 grupos de empresas de plano de saúde responsáveis pela proteção de 18 milhões de beneficiários, o que representa 32% do setor. São associadas à federação seguradoras especializadas na área (Bradesco Saúde, SulAmérica Saúde, Brasil Saúde, Porto Seguro Saúde, Marítima Saúde, Allianz Saúde, Unimed Seguro Saúde, Tempo Saúde, Notre Dame e Itauseg), operadoras de medicina de grupo (Amil, Intermédica, Golden Cross, Excelsior, Care Plus e Omint) e operadoras de odontologia de grupo (Odontoprev, Metlife e Interodonto).

Em nota, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) afirmou que não faz parte de suas atribuições discutir remuneração a prestadores de serviços (médicos, hospitais e laboratórios). Segundo o texto, a entidade não participa das decisões sobre pagamento de serviços entre esses prestadores e as operadoras de planos de saúde, o que já é consolidado em contrato.

"É, portanto, livre a negociação entre as partes sobre os serviços a serem prestados. A remuneração é variável tanto sobre os valores acordados como também sobre quaisquer outras particularidades do relacionamento entre operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviços", destaca a Abramge.

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