The Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via Reuters
The Russian Direct Investment Fund (RDIF)/Handout via Reuters

De olho em acesso antecipado a doses, Bahia vai testar vacinas chinesa e da Pfizer e mira russos

Estado é um dos principais centros de ensaios clínicos do Brasil dos possíveis imunizantes; governos se preocupam com possível escassez de doses no futuro

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 05h00

A Bahia é hoje um dos principais centros de testagem de vacinas contra o coronavírus no Brasil. Depois de iniciar os testes do imunizante da farmacêutica americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech na semana passada, o governo estadual vai assinar nos próximos dias acordo para os ensaios com a vacina chinesa Sinopharm. Além disso, negocia com a Rússia a testagem da primeira vacina registrada no mundo.

O governador Rui Costa (PT) vai assinar esta semana o protocolo de cooperação com o Grupo Farmacêutico Nacional da China (Sinopharm) para testagem de duas variações de uma vacina na Bahia e em outros Estados do Nordeste. Se aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a parceria prevê o início dos testes na primeira quinzena de setembro, e duração de três meses.

Ao enviar o documento, o governo baiano terá direito a receber os resultados oficiais e os detalhes das fases iniciais das pesquisas chinesas. Os ensaios clínicos já entraram na fase 3, envolvendo cerca de 15 mil voluntários, nos Emirados Árabes Unidos. São essas as informações que serão analisadas pela Anvisa para validar a testagem no Brasil. 

O convênio prevê a aplicação de 9 mil doses da vacina experimental. O Instituto Couto Maia, hospital baiano especializado em doenças infectocontagiosas, será o centro de pesquisas e provavelmente um dos polos de produção e distribuição da imunização. O acordo prevê a transferência de tecnologia para produção própria.

Além da intenção de acordo com os chineses, os baianos já estão participando dos testes de outras vacinas. A instituição filantrópica Obras Sociais Irmã Dulce começou a receber na sexta-feira, em Salvador, os testes da vacina da farmacêutica Pfizer em parceria com a BioNTech. A expectativa é de que até o fim do mês todos os 500 participantes dos testes já tenham recebido a dose, que será reforçada após 21 dias.

Todos os voluntários informam diariamente como se sentem por meio de um aplicativo. Eles ainda receberam um termômetro para medição da temperatura e uma linha direta que funciona 24 horas para reportarem alguma reação. A vacina está sendo testada na Bahia e em São Paulo

No início do mês, o governo baiano já havia demonstrado interesse em uma parceria com a Rússia, responsável pelo registro da primeira vacina contra covid-19. A embaixada russa no Brasil confirmou as negociações. “As partes conversaram sobre o estabelecimento de uma possível parceria entre as instituições de pesquisa nordestinas e os centros científicos russos nos testes e produção da vacina”, diz nota da embaixada sobre a reunião virtual entre seus representantes e os do governo baiano no dia 30 de julho. 

Moscou ainda não concluiu a fase três - última e mais importante - dos testes clínicos para o desenvolvimento do imunizante. Sem a publicação dos resultados das etapas anteriores e com menos de dois meses de ensaios com humanos, o projeto russo é visto com desconfiança pela comunidade científica internacional. 

Estoque

Fábio Vilas-Boas, secretário da Saúde da Bahia, revela existir preocupação entre as autoridades de saúde quanto à escassez de vacinas, quando elas forem aprovadas. “Nossa intenção foi fazer esse acordo (com a China) para ter acesso antecipado aos estudos do imunizante, participar do desenvolvimento e ter direito de aquisição no momento da distribuição. A ideia é se antecipar. Acreditamos que pode haver falta de vacina”, diz.

De acordo com o secretário baiano, os investimentos na compra das vacinas chinesas ainda não foram definidos, pois dependem do avanço das negociações. Embora a aquisição seja de competência do governo federal, dentro do Programa Nacional de Imunizações, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, sinalizou que dará suporte às tratativas dos governos estaduais. São Paulo, por exemplo, fez acordo com a farmacêutica chinesa Sinovac, por meio do Instituo Butantã. A pesquisa também está na fase 3 e haverá testes com pacientes brasileiros. 

Vários Estados consultados pelo Estadão informam que aguardam iniciativa e orientação do Ministério da Saúde sobre as parcerias com as instituições de pesquisa para testes das vacinas. “É preciso prudência para não criar falsas expectativas. A gente precisa aguardar mais detalhes e as próximas manifestações. A coordenação do Programa Nacional de Imunizações é do governo federal”, avalia o secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo.

Paraná faz acordo por imunizante de Moscou

O governo do Paraná assinou na tarde dessa quarta-feira, 12, um acordo com a Rússia para auxiliar no desenvolvimento de uma eventual vacina contra a covid-19. A partir do memorando, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) deve estreitar os laços com o Instituto Gamaleya de Moscou, que lidera o desenvolvimento da Sputnik V, como Moscou batizou a vacina. O laboratório paranaense ainda depende de aval da Anvisa para fazer testes ou, no futuro, fabricar o imunizante no Brasil. 

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