De olho na obesidade infantil, escolas de SP lançam programas nutricionais

Segundo pesquisa da Unifesp, 33,2% dos alunos entre 10 e 15 anos da rede particular estão acima do peso

Agência Estado

03 de agosto de 2010 | 18h00

SÃO PAULO - Bolacha recheada não pode, frituras também não. São as leis do Colégio Pio XII, na zona sul de São Paulo. E na Escola Carlitos, na zona oeste, o intervalo agora se chama 'Hora da Fruta'. Essas são algumas das iniciativas que as escolas particulares da cidade têm adotado para tentar reverter um quadro de peso: 33,2% dos alunos entre 10 e 15 anos da rede privada estão acima do peso, de acordo com uma pesquisa divulgada na última segunda-feira pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No Pio XII, os pais são chamados a dividir a responsabilidade pelo cardápio com a escola, participando do programa de reeducação alimentar dos estudantes. "Já começamos a tratar o tema com os pais. São eles que passarão isso às crianças", diz a orientadora pedagógica da educação infantil do colégio, Patrícia Bissetti. Ali, a cantina não oferece frituras nem doces.

Presidente do Instituto Movere, Vera Lúcia Barboza diz que o sucesso dos programas nutricionais dependem diretamente dos hábitos alimentares da família. Para ela, os pais são exemplos para os filhos também na hora de comer. "Pai e mãe precisam mudar o que comem. Caso contrário, não adianta levar a criança para fazer dieta", afirma ela, que atende crianças e jovens obesos na faixa dos 6 aos 17 anos. "Os filhos resumem o comportamento dos pais", completa.

Na Escola Carlitos, além da oferta de frutas no intervalo, os alunos de ensino fundamental contam com pratos saudáveis durante o almoço. "Quando não têm alternativa, os alunos comem porque não há opção e acabam gostando", afirma a diretora pedagógica, Laura Piteri. Ela conta que, no início, até mesmo os pais questionavam a pouca diversidade do cardápio. O ensino fundamental do Carlitos também participa do Projeto Restaurante. "Durante a aula, os estudantes aprendem sobre a pirâmide alimentar e depois são convidados a preparar uma refeição para colegas outra sala", conta Laura.

Segundo a nutricionista Martha Amódio, diretora da empresa especializada em nutrição alimentar Comer e Aprender, em locais onde o cardápio saudável é implementado as taxas de crianças com sobrepeso ou obesidade costumam ser menores. "Geralmente, até 40% dos alunos estão acima do peso. Nas escolas em que as refeições são reguladas, o índice é de 25%", avalia Martha.

As informações são do Jornal da Tarde.

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