Debate: você apoia a recomendação de uso de antirretrovirais?

NÃO

O Estado de S. Paulo

11 Julho 2014 | 23h00

Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto Emílio Ribas

A recomendação da profilaxia pré-exposição para todos os homossexuais não é o melhor esquema de prevenção. O principal risco é a banalização do uso do preservativo. Muitos podem pensar que, ao utilizarem os antirretrovirais, não precisam mais se proteger durante o sexo, o que levaria ao aumento do número de infecções, e não à diminuição, como prevê a OMS.

Pesquisa com pacientes mostra que 30% dos soropositivos dizem não usar preservativo em suas relações.

Não podemos ignorar ainda os efeitos colaterais que esses medicamentos podem trazer. A PrEP pode ser indicada em alguns casos específicos, mas não como estratégia geral de prevenção para os homossexuais. 

SIM

Rodrigo Pinheiro, presidente do fórum de Ongs Aids no Estado de São Paulo

Nós sempre defendemos a PrEP como uma forma adicional de prevenção, uma vez que estudos já demonstraram a eficácia da técnica na redução de casos de HIV entre homens que fazem sexo com homens. Ela é válida como alternativa, mas precisa vir acompanhada de informação.

Para evitar que a oferta da PrEP aumente o estigma sobre os homossexuais, é preciso mostrar que a medida se mostrou eficaz para esse grupo em pesquisas, que ela tem embasamento científico. O governo precisa chamar essas pessoas para dentro dos serviços de saúde, oferecer orientação. Hoje, o governo não consegue chegar até essa população. Esse seria um grande desafio.

Mais conteúdo sobre:
HIVaidsantirretrovirais

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.