Deficiência de ômega-3 pode explicar comportamentos depressivos

Pesquisadores franceses e espanhóis estudaram ratos com dieta pobre em ácidos graxos

estadão.com.br

31 Janeiro 2011 | 20h48

SÃO PAULO - Como a deficiência de ácidos graxos essenciais em uma mulher pode impactar seus filhos sainda é mal compreendido. Apesar disso, a insuficiência dietética de ômega-3 tem sido atribuída a muitas doenças.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm, na sigla em francês) e do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (Inra, também em francês) e colaboradores espanhóis estudaram ratos alimentados com uma dieta pobre em ômega-3. Os cientistas descobriram que a redução dos níveis desses ácidos graxos teve efeitos negativos sobre as funções sinápticas e os comportamentos emocionais dos roedores. Os detalhes do trabalho estão disponíveis na versão online da revista Nature Neuroscience.

Nos países industrializados, a alimentação tem sido empobrecida em ácidos graxos essenciais, como ômega-3 e ômega-6, desde o início do século 20. Esses ácidos são lipídios "essenciais" porque o organismo não consegue produzi-los. Assim, devem ser fornecidos por meio dos alimentos, e seu equilíbrio é fundamental para manter em ordem as funções cerebrais.

Olivier Manzoni, do Inserm, Sophie Laye, do Inra, e seus coautores levantam a hipótese de que a desnutrição crônica durante o desenvolvimento intrauterino pode, na vida adulta, influenciar a atividade sináptica envolvida no comportamento emocional, desencadeando problemas como depressão e ansiedade.

Para comprovar essa teoria, os pesquisadores estudaram ratos alimentados ao longo da vida com uma dieta desequilibrada em ômega-3 e ômega-6. Os cientistas descobriram que a deficiência de ômega-3 perturbou a comunicação neuronal específica, e os receptores de canabinoides, que desempenham um papel estratégico na neurotransmissão, sofrem uma perda completa de função. Essa disfunção neuronal foi acompanhada por comportamentos depressivos entre os animais desnutridos.

Pelo menos duas estruturas envolvidas na sensação de recompensa (motivação e regulação emocional) foram prejudicadas: o córtex pré-frontal e o núcleo accumbens. Essas partes do cérebro contêm um grande número de receptores de canabinoides CB1R e importantes conexões funcionais entre si.

Na conclusão, os autores dizem que seus resultados constituem os primeiros componentes biológicos de uma explicação para a correlação entre dietas pobres em ômega-3 e transtornos de humor como a depressão.

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