Dengue aumenta 840% no inverno deste ano

Dengue aumenta 840% no inverno deste ano

Crescimento tem relação com estação mais quente e seca; foram registrados 705 casos da doença no período, ante 75 em 2013

Paula Felix e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

21 Novembro 2014 | 03h00

Apesar do período atípico, o número de casos de dengue no inverno deste ano foi 840% maior do que o registrado na mesma época no ano passado. De acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde, foram relatados 705 casos entre as semanas epidemiológicas 26 e 38, que compreendem a estação. Em 2013, o número foi de 75 casos. Até o dia 1.º deste mês, a cidade teve 27.721 casos autóctones, contraídos na cidade, dez vezes mais do que em todo o ano passado, que teve 2.617 casos.

Infectologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Artur Timerman observa que o aumento dos casos fora da época de pico, que ocorre durante o verão, tem relação com o fato de o inverno ter sido mais quente neste ano. “Tivemos um inverno muito quente, com pouca chuva, mas, apesar disso, quando chove em São Paulo, como as condições de saneamento básico e coleta de lixo são precárias, são criadas condições (para o mosquito) mesmo no inverno”, explica o infectologista.

Segundo Timerman, as larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, são resistentes. “As larvas podem sobreviver por até um ano e meio em condições desfavoráveis. Quando há calor e chuva, elas eclodem.” O infectologista diz ainda que a população não tem imunidade para todos os quatro tipos da doença. “Quando uma pessoa é infectada, tem imunidade a todos os sorotipos só por um ano e ao tipo que ela teve para o resto da vida.”

Clínico-geral e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon diz que os hábitos da população também estão relacionados ao aumento de casos. “O mosquito precisa de água e de temperatura mais quente para sobreviver. Se estiver muito frio, diminui a proliferação. Aquelas condutas de não deixar prato com água não têm tanto rigor no inverno. As pessoas relaxam um pouco, porque vinculam a dengue com a chuva.”

Alta temperatura. Na terça-feira, o secretário municipal da Saúde, José de Filippi Junior, também atribuiu o número expressivo de casos às altas temperaturas no inverno. “Nós temos de fazer uma associação à temperatura e à ocorrência de umidade e menos chuva. Neste ano, tivemos um verão altamente quente e um inverno também mais quente.”

Entre 21 de setembro e 13 de novembro, foram registrados 36 casos na capital. Em todo o Estado, foram relatados 186.389 autóctones. O levantamento considera o período de janeiro a outubro, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. No litoral, o município de Mongaguá está em fase de alerta para a transmissão da doença e terá um mutirão contra a dengue na segunda-feira. 

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