Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Dengue: Com 585 mortes em 2022, País já tem mais do que o dobro de vítimas do ano passado

O número já é maior também do que em todo o ano de 2020, quando a doença matou 574 pessoas; em 2019, houve 840 mortes

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2022 | 05h00

Em menos de seis meses, o Brasil já registrou bem mais que o dobro de mortes por dengue do que em todo o ano passado, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na sexta-feira, 24. Foram 585 óbitos de janeiro a 20 de junho de 2022, ante 246 nos 12 meses de 2021, aumento superior a 130%. O número já é maior também do que em todo o ano de 2020, quando a dengue matou 574 pessoas. Em 2019, houve 840 mortes. O número de casos este ano aumentou 196% em relação a igual período do ano passado, chegando a 1.143.041 em todo o País. A incidência é de 550 casos por 100 mil habitantes. A doença é transmitida pela picada do Aedes aegypti.

O Estado de São Paulo lidera em número de mortes, com 200 óbitos, segundo o ministério – a Secretaria de Saúde do Estado aponta 198. O número é quatro vezes maior que os 52 óbitos registrados no mesmo período do ano passado e quase o triplo do total de mortes em 2021, quando houve 71. São Paulo já teve 225 mil casos de dengue este ano. No mesmo período do ano passado, houve 130 mil, segundo a pasta estadual. Já o ministério aponta 297 mil casos em território paulista, incidência de 550 relatos por 100 mil habitantes. A pasta federal considera os casos prováveis de dengue, enquanto a paulista divulga aqueles já confirmados.

Segundo Estado em número de mortes, Santa Catarina teve 66 registros. Com a superlotação da rede hospitalar, o governo estadual decretou no início do mês situação de emergência pelo prazo de 90 dias. A sobrecarga envolveu a escalada de doenças infecciosas e respiratórias, como covid, além de casos de dengue. 

Em 2021, houve sete óbitos por dengue em Santa Catarina. Já em 2022 foram confirmadas 54 mortes em decorrência da doença até o início do mês. A disparada representa um aumento de 200%. Em abril deste ano, 26 municípios catarinenses haviam declarado epidemia, três emitiram alerta de emergência.

Por região, o Centro-Oeste tem a maior incidência, com 1.585,2 casos por 100 mil habitantes, seguido pela Região Sul, com 968,4 casos por 100 mil pessoas. O Estado de São Paulo tem o município com maior incidência de dengue no Brasil: Araraquara, com 13.765 casos, taxa de 5.722 casos por 100 mil habitantes. 

Araraquara

Com 240 mil habitantes, Araraquara já registrou 17 mortes por dengue este ano. De acordo com o InfoDengue, sistema de monitoramento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a cidade está em alerta vermelho. A alta incidência levou a prefeitura a criar um centro de atendimento exclusivo para essa doença no Hospital de Campanha, que funciona diariamente, incluindo fins de semana e feriados, das 7 às 19 horas. Também foi criada uma sala de situação para acompanhar diariamente a evolução dos casos e traçar ações de combate ao mosquito transmissor. Em média, os agentes de combate a endemias visitam 30 mil casas por mês, em busca de criadouros. Também são feitos fumacês, nebulizações, além de mutirões para a retirada de entulhos e material inservível.

Equipes de educação do Controle de Vetores e da Vigilância em Saúde realizam ações educativas em escolas públicas e privadas, com palestras e exposições sobre a dengue. Todas as unidades de saúde estão focadas na identificação e tratamento dos casos, segundo a prefeitura.

Morte

Outras cidades paulistas com alta incidência são Bebedouro, que também está em alerta vermelho (o número de casos passou de 113 no ano passado para 1.303), Votuporanga (passou de 1.854 para 11.590), e Bauru (de 690 para 4.69).

Em Birigui, que passou de 1.108 casos de janeiro a junho do ano passado para 8.864 no mesmo período deste ano, foi confirmada a morte de um menino de 9 anos por dengue na tarde de quinta-feira. É o quarto óbito pela doença na cidade este ano. Há ainda um óbito em investigação.

Conforme a Secretaria da Saúde do Estado, o governo estadual está investindo R$ 10,7 milhões para apoiar prefeituras no controle de dengue, zika e chikungunya, doenças também transmitidas pelo Aedes aegypti. Os 291 municípios beneficiados foram selecionados com base nos indicadores epidemiológicos e entomológicos. Os recursos serão utilizados em ações de combate à disseminação do mosquito transmissor e monitoramento dos casos notificados.

Prevenção

Ainda segundo a pasta, o enfrentamento ao mosquito é uma tarefa contínua e coletiva. As principais medidas de prevenção são: deixar a caixa d’água bem fechada e realizar a limpeza regularmente; retirar dos quintais objetos que acumulam água; cuidar do lixo, mantendo materiais para reciclagem em saco fechado e em local coberto; eliminar pratos de vaso de planta ou usar um pratinho que seja mais bem ajustado ao vaso; descartar pneus usados em postos de coleta da Prefeitura. Conforme diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), o trabalho de campo para combate ao mosquito transmissor de dengue compete primordialmente aos municípios.

Vacina em estudo

Há sete anos, existe no País um imunizante que previne contra os quatro tipos de dengue, mas seu uso é restrito a quem já teve contato com o vírus. Trata-se de imunizante de vírus atenuado, aplicável dos 9 aos 45 anos. E há alguns grupos que não podem utilizar, como imunodeprimidos e gestantes. O Hospital São Lucas (HSL) da PUC-RS recruta no momento voluntários para um estudo clínico feito em parceria com o Instituto Butantan (SP) de novo imunizante – a pandemia de covid-19 atrapalhou os trabalhos. 

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