Dengue deixa 71 municípios brasileiros em estado de alerta

Levantamento revela que 14 capitais estão nessa situação; cinco cidades estão em estado de risco

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

20 de novembro de 2008 | 20h07

Cinco cidades estão sob risco de surto de dengue e outras 71, entre as quais 14 capitais, em estado de alerta segundo a edição de 2008 do Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa). Isso significa que 28 milhões de pessoas vivem em áreas fora dos padrões considerados adequados para evitar um surto da doença. Veja também:Relatório do ministério com os números da epidemia  Especial: O avanço da dengue Dados reforçam risco de epidemia de dengue no Rio e Salvador Temporão e prefeitos eleitos do Rio discutem combate à dengueTemporão não descarta nova epidemia de dengue no Rio Embora ainda muito preocupantes, os indicadores, divulgados ontem, mostram uma melhora em relação ao ano passado: o porcentual de municípios sob risco caiu de 10% para 6,3%. O de cidades consideradas em situação satisfatória subiu de 53,8% para 57,8%. O porcentual de municípios em estado de alerta manteve-se estável: 36,2% em 2007 e 35,8% em 2008. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a recomendar que as cidades redobrem os cuidados para o combate ao mosquito. O País registra maior circulação do vírus tipo 2 da dengue, considerado mais agressivo e - o mais preocupante - num momento em que há grande quantidade de pessoas suscetíveis à infecção, principalmente menores de 15 anos.  Para tentar evitar a multiplicação de casos como o do Rio, onde houve epidemia este ano, medidas especiais foram planejadas. O Ministério da Defesa vai colocar à disposição 2.321 homens do Exército, Marinha e Aeronáutica para atuar no combate ao mosquito e em ações educativas. "Estamos obedecendo às suas ordens, o novo general Temporão", brincou o ministro Nelson Jobim ontem, no anúncio da colaboração. Uma das grandes preocupações dos especialistas é que em parte dos municípios, a maior fonte de criadouros do mosquito está relacionada a infra-estrutura, como falta de abastecimento regular de água e falhas na coleta de lixo. Algo mais difícil de se corrigir. "O maior problema está no saneamento", afirmou Jobim.  Na Região Norte, por exemplo, a maior parte dos criadouros foi encontrada em áreas onde a coleta de lixo é insuficiente (43,6%). No Nordeste, 62,1% dos criadouros foram encontrados em depósitos de água. No Sudeste e Centro-Oeste, o maior porcentual de criadouros foi achado nos domicílios. Nas 14 capitais que estão em estado de alerta para a doença, 8 apresentaram como principais criadouros poços, caixas d’água e tinas para reserva de água. Em três delas, o maior problema está relacionado ao acúmulo de lixo. O desempenho do Rio em relação ao ano passado melhorou (de 3,7% para 2,9%), mas ainda está longe de ser considerado ideal. A cidade ainda está em estado de alerta e, em alguns bairros, o índice de infestação chega a 10,8%. Para Fabiano Pimenta, da Secretaria de Vigilância em Saúde, um outro local foco de grande preocupação é a Baixada Fluminense, sobretudo São Gonçalo. Há na cidade grande número de pessoas suscetíveis ao vírus tipo 2. Existem quatro tipo de subtipos de vírus da dengue. Quando a pessoa é infectada, ela adquire resistência ao vírus mas pode se contaminar por outro subtipo. Além do Rio e Baixada, Pimenta cita ainda necessidade de concentrar atenção de combate à doença em Salvador e Itabuna. No Estado de São Paulo, a cidade que mais preocupa é São Sebastião. O Liraa na cidade foi de 2,8%. Outras duas cidades em São Paulo estão em estado de alerta: Piracicaba (com 1,3%) e Ribeirão Preto (1,1%). Apesar dos indicadores, Pimenta afirma ser possível reduzir de forma significativa o número de criadouros do mosquito até janeiro, quando tradicionalmente o número de casos ganha força. Temporão afirmou ser essencial que os dados da infestação dos criadouros sejam divulgados nas cidades e que administradores concentrem sua ação nos locais considerados mais vulneráveis. O Liraa começou a ser usado no País em 2004. O levantamento faz uma análise da quantidade de criadouros por domicílios analisados. O índice considerado aceitável é de 1 criadouro para cada 100 casas visitadas.

Tudo o que sabemos sobre:
denguesaúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.