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Dengue desfalca times de basquete e futebol em Rio Claro

'Vejo o grupo com repelentes, protetores;  mais preocupado com o mosquito do que com adversários', disse dirigente do Rio Claro FC

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 16h41

SOROCABA - A epidemia de dengue que se alastra pelo interior atingiu em cheio as equipes profissionais de basquete e futebol de Rio Claro, no interior de São Paulo. Seis atletas da equipe do Basquete Rio Claro, que disputa o NBB (Novo Basquete Brasil), principal campeonato nacional do esporte, foram para o hospital. Como o elenco todo soma 13 jogadores, o técnico Marcelo Tamião já tem dificuldade para pôr em quadra os cinco jogadores regulamentares e ainda compor o banco de reservas. 

Dos atletas com dengue já confirmada, Lucas Tisher, Pastor, Léo, Duso, Rafael e Vinícius, três estão afastados e em tratamento, e os demais se recuperam, segundo Tamião. "Eles estão 50% recuperados, mas precisam manter a hidratação e os cuidados." O treinador também teve dengue há oito meses e conta que passou maus bocados com a doença. "É terrível, por isso sei o que eles estão passando, mas não tem como parar o campeonato", disse.


O Rio Claro Futebol Clube, time que disputa o Paulistão 2015 no grupo de elite, tem quatro jogadores com dengue diagnosticada ou confirmada - os volantes Lucas Madalosso e Nenê Bonilha, o atacante Rodolfo e o zagueiro Gilberto. O preparador físico Jean Cova, o treinador de goleiros Adilson Teodoro e até o massagista César Silva também pegaram a doença. "É uma situação estranha, pois vejo o grupo com repelentes, protetores, enfim, mais preocupado com o mosquito da dengue do que com os adversários", disse o dirigente Alex Afonso.

Com 198,4 mil habitantes, Rio Claro enfrenta uma epidemia de dengue, com 1.270 casos confirmados. A doença já causou duas mortes, sendo uma confirmada, a outra suspeita: na segunda-feira, uma mulher de 50 anos morreu com sintomas da doença. A Secretaria de Saúde do município informou que há necessidade de aguardar o resultado dos exames.

Boletim. Os casos de dengue confirmados no Estado de São Paulo chegaram a 51.849 este ano, segundo boletim epidemiológico divulgado nesta quarta-feira, 25, pelo Ministério da Saúde. No boletim anterior, divulgado no último dia 7, o Estado somava 30.507 casos. O índice de incidência da doença passou de 69,3 casos por 100 mil habitantes para 117,7 mil casos por 100 mil. O levantamento considera os casos notificados até o dia 17 deste mês. O boletim faz referência a 39 casos graves e 275 casos de dengue com sinais de alarme, mas não cita o número de mortes.

No Estado, o município de Trabiju manteve a liderança no número de casos proporcional à população, com 13.878,8 casos por 100 mil habitantes, seguido por Catanduva, com 2.567,9 casos por 100 mil, e Sorocaba, com 453,7 casos por 100 mil habitantes. Na segunda-feira, uma mulher de 80 anos morreu na Santa Casa de Marília e o hospital atestou a dengue como possível causa da morte. Com esse, já são dez os óbitos por dengue sob investigação na cidade - até agora, apenas três foram confirmados. Com as mortes ocorridas esta semana em Araçatuba e Araraquara, já passam de trinta os óbitos com suspeita de dengue no interior do Estado.


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