Dengue é registrada em mais da metade dos municípios de SP

Das 654 cidades do Estado, 357 registram a doença; São José do Rio Preto é a que tem maior ocorrência

Marcel Gugoni, do estadao.com.br,

19 de outubro de 2007 | 15h45

Mais da metade dos municípios do Estado de São Paulo têm pelo menos um caso registrado de dengue em 2007, segundo dados de outubro da Secretaria Estadual de Saúde. Das 645 cidades paulistas, 357 tiveram ocorrências da doença.   Veja também: A evolução da doença no Brasil  Confira as cidades atingidas pela doença    O município paulista mais afetado pela dengue atualmente é São José do Rio Preto, na região norte do Estado, com 9.753 casos em uma população de 415 mil habitantes. Em seguida vêm Campinas (4.525), Bebedouro (3.216), Sumaré (3.093), Piracicaba (2.495). A capital São Paulo apresenta 2.330 ocorrências.   Só neste ano, o volume de pessoas infectadas pelo mosquito já chegou a 65.869, segundo contagem feita até a última semana, atingindo o maior patamar de toda a história. Com relação ao mesmo período do ano passado, a alta é de quase 30%, de acordo com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). O recorde anterior havia ocorrido em 2001, com 51,6 mil casos.   Na última quinta-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a classificar como "inadmissível" e "injustificável" a evolução da dengue no País. Na terça, durante discurso em Belo Horizonte, Temporão ressaltou que a epidemia é "preocupante".   No País, 121 pessoas morreram de dengue hemorrágica, um número 49,7% maior que no ano anterior, quando a infecção fez 77 vítimas. "Tivemos no Brasil 121 mortes inadmissíveis", declarou o ministro. "Ou faltou a urgência em procurar o profissional de saúde ou falhou o diagnóstico", lamentou Temporão. Conforme o Ministério da Saúde, o País registrou 481,3 mil casos da doença de janeiro a setembro deste ano.   O coordenador da Sucen, Affonso Viviani Júnior, atribui o aumento dos casos a uma tendência em curso tanto no Brasil quanto na América Latina. O aumento do número de casos se deve, segundo ele, a aspectos como o aquecimento global, que facilita a reprodução do mosquito e ao aumento do número de tipos de vírus que circulam no País. Hoje são três variantes presentes em terras brasileiras.   Além disso, os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná, além do Paraguai, enfrentaram surtos da doença, o que prejudica o combate em São Paulo. "A dengue não tem fronteira, então o Brasil acaba sendo refém desse fenômeno, que é continental", afirma.   Mesmo com altos índices de infecção, a diretora de Combate a Vetores da Sucen, Dalva Wanderlei, afirma que a epidemia já começou a dar uma "trégua" em várias cidades. "Em grande parte dos 357 municípios afetados a situação já está sob controle, onde não há mais transmissões de dengue."   Com o intuito de orientar a população na prevenção e no combate à dengue, o Ministério da Saúde colocou no ar um site (aqui) com informações sobre a doença além de ter acesso aos números de casos.   O único modo de combater a dengue é por meio da eliminação do mosquito Aedes aegypti. "É fundamental que as pessoas eliminem de suas propriedades reservas de água que possam servir de criadouro para os mosquitos", diz Viviani. "Podemos fazer ações de controle, mas a sustentabilidade do processo depende das pessoas. Se não houver interação com a população, não há controle efetivo."

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