Dependência de álcool afeta quase 1/3 dos universitários

Levantamento, feito com 536 alunos de uma faculdade particular da cidade, foi obtido com exclusividade pelo JT

Lais Cattassini, Jornal da Tarde

15 Fevereiro 2011 | 07h23

SÃO PAULO - Entrar na faculdade é apenas um dos motivos comemorados à base de álcool pelos universitários. Ao longo dos cursos, a proximidade com a bebida aumenta ainda mais. Na capital, os traços de dependência relacionada à bebida já aparecem em quase um terço dos universitários avaliados pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod).

 

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O levantamento, feito com 536 alunos de uma faculdade particular da cidade, foi obtido com exclusividade pelo JT. Ali, 27% dos estudantes relatam sentir necessidade ou urgência em beber semanalmente e outros 4% manifestam essa sensação diariamente. Para os especialistas, os números indicam uma relação de dependência.

 

A pesquisa também indica que dois a cada três estudantes universitários consomem álcool ao menos uma vez por semana. “A dependência causa prejuízos na vida dos jovens. Por exemplo: 3% dos alunos que entrevistamos vivenciam problemas por causa da bebida semanalmente. Perdem aulas, compromissos ou se envolvem em acidentes”, explica a diretora da ação comunitária do Cratod, Selma Setani.

 

 

Relacionar o álcool a comemorações e à diversão é uma associação aprendida em casa, segundo os alunos. O estudante de direito Eduardo Gomes, de 21 anos, conta que experimentou bebida alcoólica pela primeira vez aos 7 anos, sob a supervisão dos pais. O primeiro ‘porre’ também foi com os familiares. “Acho que foi bom para conhecer e não fazer fora de casa”, afirma.

 

“As pessoas crescem com a ideia de que essa substância faz parte do lazer na vida adulta”, diz a coordenadora do ambulatório de adolescentes e professora de medicina e sociologia do abuso de drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Denise de Micheli. Para ela, a frequência com a qual o jovem consome álcool é um fator importante do alcoolismo.

 

A disponibilidade do álcool e a oferta frequente aos jovens é o que preocupa. “O álcool está muito disponível e tem esse caráter benigno. É uma substância que está sempre presente em casa e os pais não respeitam a lei. Não respeitam que menores de 18 anos não devem beber nunca”, alerta o psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Carlos Salgado.

 

A participação das universidades, bem como da família, é fundamental para inibir a ingestão de bebidas alcoólicas precocemente e prevenir o alcoolismo. É na recepção dos calouros que a ingestão de álcool é mais preocupante. “Nesse momento, os alunos passam por uma transição. Deixam o ambiente escolar, em que eram vigiados, para uma maior liberdade. Muitas vezes, a única coisa que separa esses dois momentos da vida são as férias”, analisa Roseli Caldas, psicóloga e coordenadora do programa MackVida, desenvolvido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

O programa MackVida é uma das ações de prevenção da universidade. Também a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) desenvolve programas de prevenção e faz o encaminhamento de alunos que bebem com muita frequência. “Observamos a quantidade de bares ao redor da universidade e a prática de festas do tipo open bar e tentamos conscientizar esse aluno”, diz o pró-reitor de cultura e relações comunitárias da PUC, Hélio Deliberador.

 

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