Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Depois do Estado do Rio, município também deve entrar em emergência por causa do coronavírus

Prefeito Marcelo Crivella determinou que ônibus não circulem com passageiros em pé, além de fechamento de parques, ruas de lazer e vilas olímpicas

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 13h36

RIO - O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, disse na manhã desta terça-feira, 17, que a cidade deve entrar em situação de emergência por causa do avanço do novo coronavírus. O Estado do Rio entrou nesta terça-feira, 17, neste estágio, por meio de decreto do governador Wilson Witzel.

Crivella comentou, contudo, que ainda aguarda uma resposta oficial da União antes de fazer o anúncio. Isso porque o prefeito carioca já havia feito, há dez dias, esse pedido por causa das enchentes que afetaram o Rio após as chuvas do início do ano - nesse caso, a solicitação buscava liberar até R$ 6 mil do FGTS para os afetados. O secretário nacional de Defesa Civil, segundo ele, respondeu recomendando que a emergência seja dada para todo o município, por causa do coronavírus. A confirmação deve sair em breve, garantiu Crivella.

A emergência permite que o Executivo local faça compras e contratações sem licitação. O prefeito justificou a medida com base no ritmo acelerado de crescimento da propagação do vírus.

Crivella anunciou que ruas de lazer da cidade, como a Avenida Atlântida e o Aterro do Flamengo, ambas na zona sul, não serão mais fechadas para carros aos domingos e abertas à população. Parques municipais e as 24 vilas olímpicas da cidade também não vão mais abrir.

Outro ponto abordado pelo prefeito foi o transporte público, especialmente os ônibus, que têm circulado lotados. Ele orientou as empresas a proibirem que passageiros viajem em pé, a fim de evitar aglomerações. Para isso, recomendou que coloquem mais carros à disposição. "Não podemos ter nesse momento ônibus lotados tendo em vista o risco do contágio", disse. O descumprimento vai gerar multas.

Perguntado sobre a situação de populações vulneráveis, como os moradores de favelas e de rua, o prefeito afirmou que, no momento, ainda trabalha em caráter de recomendação. Deixou claro, contudo, que não há um plano para os moradores de favela que vá além da recomendação de lavar as mãos.

No caso da população em situação de rua, Crivella disse que não descarta, caso a situação se agrave, determinar internação compulsória. Alegou, no entanto, que ainda não é hora para isso. "Normalmente eles não querem sair das ruas. O que nós estamos agora é com o argumento da doença. Estamos insistindo muito para que eles possam vir aos nossos abrigos."

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O governador Witzel tem reclamado da ausência de Crivella nas reuniões que tem mantido com prefeitos da Região Metropolitana do Rio. Questionado, Crivella disse que não foi à reunião desta segunda-feira, 16, porque estava atendendo representantes de setores da sociedade.

"A reunião de ontem com o governador eu estava realmente impossibilitado de ir, mas acompanhei pela mídia. E nossa secretária participou com o secretário estadual de Saúde", alegou.

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