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Deputado pedirá ajuda ao Vaticano para liberar 'pílula do câncer'

Rafael Silva (PDT) quer que medicamente seja considerado um remédio espiritual, como as pílulas do Frei Galvão

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

22 Novembro 2015 | 16h48

SOROCABA - O deputado estadual Rafael Silva (PDT) vai pedir ajuda ao Vaticano para a liberação da fosfoetanolamina sintética, conhecida como "pílula do câncer", a portadores da doença. O fornecimento da substância, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e usada de forma aleatória há 20 anos por pessoas com câncer, está suspenso desde o último dia 11 por decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo. De acordo com o TJ, a substância não foi testada em seres humanos e pode acarretar graves consequências aos pacientes.

Silva quer que a Igreja Católica interceda junto ao Judiciário e ao Executivo brasileiros para que a substância seja considerada um remédio espiritual, como as pílulas de Frei Galvão. “As pílulas do religioso não são um remédio como os da farmácia. São, sim, remédio para a alma e o corpo para todo fiel cristão que tem fé. E é isso que tem acontecido com as pessoas que enfrentam o câncer”, afirmou.

As pílulas de Frei Galvão são distribuídas gratuitamente pela Igreja Católica e têm como referência um milagre do santo que, procurado por uma pessoa com fortes dores, escreveu no verso de um papelzinho, dobrou-o e pediu que fosse ingerido pelo paciente, que se curou. Segundo o parlamentar, há muitos relatos de cura atribuída às pílulas de Frei Galvão. “A fosfoetanolamina sintética é a última esperança para quem enfrenta o câncer. Muitas pessoas tomaram o composto e relataram a cura”, disse. 

Silva encaminha nesta segunda-feira (23) ofícios ao arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Scherer; ao núncio apostólico Dom Giovanni D'Aniello, representante do Vaticano no Brasil; ao embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Denis Fontes de Souza Filho, e ao Papa Francisco. A reportagem não conseguiu, neste domingo, contato com as autoridades eclesiásticas citadas pelo parlamentar. 

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