Descoberta de supernova lança luzes sobre suas características

Imagens permitem estudar origens desses corpos celestes que surgem a partir de explosões

Efe,

14 de dezembro de 2011 | 18h43

 A descoberta de uma supernova em uma galáxia próxima à Terra poucas horas depois de sua explosão permitirá estudar as características desses sistemas, diz um artigo publicado na "Nature".

A supernova SN2011fe foi observada na galáxia Messier 101 em agosto por cientistas liderados por Peter Nugent, do laboratório Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos.

O achado permitirá investigar particularidades das supernovas tipo Ia, explosões estelares que constituem "uma ferramenta de destaque na cosmologia, mas de natureza desconhecida", dizem especialistas.

Sabe-se que elas são um tipo de estrelas em explosão caracterizadas pela ausência de hidrogênio (o elemento químico mais abundante no Universo), resultado de uma violenta explosão de uma anã branca, que é material remanescente de uma estrela que completou seu ciclo de vida.

Normalmente, as anãs brancas, compostas de carbono e oxigênio, vão se apagando por não conseguir alcançar a temperatura suficiente para completar a fusão desses elementos.

No entanto, às vezes, se elas estão acompanhadas de outras estrelas, podem atrair a massa delas e ir crescendo às suas custas, ao mesmo tempo em que se comprimem.

Se chegam a uma determinada massa, a temperatura aumenta até o ponto de possibilitar novamente a fusão do carbono e do oxigênio, o que, devido à grande pressão interior, gera uma explosão nuclear que origina uma supernova tipo Ia.

Os cientistas constataram que a progenitora de uma supernova tipo Ia é uma anã branca, mas o achado da SN2011fe permitirá estudar que tipo de estrela acompanha essa anã, diz o estudo.

As primeiras observações da nova supernova permitem descartar que, pelo menos neste caso, a companheira da anã branca seja o que se conhece como uma gigante vermelha, que é cerca de cem vezes mais luminosa do que o sol.

Os cientistas chegaram à conclusão porque, caso contrário, seu rastro teria sido percebido nas imagens anteriores ao descobrimento da supernova.

Isso deixaria, segundo modelos teóricos, outras duas opções de progenitora da anã: uma estrela subgigante, um pouco mais luminosa que o sol, ou outra anã branca, umas 10 mil vezes menos luminosa que o astro.

Ainda que a qualidade das imagens obtidas por telescópio não permitam descartar essas duas opções, os autores assinalam que o fato de descartar, neste caso, a gigante vermelha "é um grande avanço na compreensão das estrelas progenitoras das supernova de tipo Ia".

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