Descoberta indica presença de vida animal na Terra há 650 milhões de anos

Anteriormente, os mais antigos fósseis conhecidos de animais eram de cerca de 550 milhões de anos

estadão.com.br

17 de agosto de 2010 | 15h11

Formação rochosa de estromatólitos, em meio à qual foram encontrados os vestígios de animais. Adam Maloof/Divulgação

 

Numa descoberta que empurra para trás a data do surgimento dos primeiros animais no planeta Terra, cientistas da Universidade Princeton, nos EUA, anunciam a descoberta dos mais antigos fósseis de um corpo animal, o que indica que criaturas primitivas semelhantes a esponjas viviam em recifes marinhos há 650 milhões de anos.

 

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Os fósseis, descobertos debaixo de um depósito glacial de 635 milhões de anos no sul da Austrália, representam a mais antiga evidência de um corpo animal, superando o recorde anterior em pelo menos 70 milhões de anos.

 

Anteriormente, os mais antigos fósseis conhecidos de animais de corpo rijo pertenciam a dois organismos de 550 milhões de anos atrás, o Namacalathus, descoberto em 2000 por uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e a Cloudina, encontrada em 1972 por cientistas sul-africanos.

 

Além disso, há fósseis ainda controversos de animais de corpo mole datados de 577 milhões e 542 milhões de anos atrás. Esses fósseis foram observados pela primeira vez nos anos 40. A evidência comprovada mais antiga de animais desse período data de 555 milhões de anos.

 

Os pesquisadores de Princeton Adam Maloof e Catherine Rose encontraram os novos fósseis enquanto trabalhavam num projeto sobre os vestígios de uma era glacial 635 milhões de anos atrás. Suas descobertas, publicadas na edição desta terça-feira, 17, da revista Nature Geoscience, oferece a primeira evidência direta de que vida animal existiu antes - e provavelmente sobreviveu - ao evento conhecido como "Bola de Neve Terra", quando a chamada glaciação marinoana deixou boa parte do planeta coberta de gelo.

 

"Estamos acostumados a encontrar lascas de lama no meio da rocha, e à primeira vista foi o que pensamos que estávamos vendo", disse, por meio de nota, Maloorf.

 

"Mas então notamos essas formas repetidas aparecendo em toda parte - forquilhas, anéis, placas perfuradas, bigornas. No segundo ano, notamos que tínhamos achado um tipo de organismo, e decidimos analisar os fósseis. Ninguém esperava que iríamos encontrar animais que viveram antes da era glacial, e já que animais provavelmente não evoluíram duas vezes, fomos, de repente, confrontados com a questão de como algum parente desses animais sobreviveu à Bola de Neve Terra", pondera.

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