Divulgação/Jones Labs Studio
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Descoberta proteína que pode reduzir mortes em casos de infecções

Proteína Slit consegue diminuir a permeabilidade dos vasos e ajudar a controlar inflamações

Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo

17 Março 2010 | 18h00

Uma proteína chamada Slit poderá diminuir as mortes causadas por infecções e queimaduras. Na maioria das vezes, as complicações ocorrem quando o organismo responde de modo exacerbado à agressão que sofreu. É o que acontece, por exemplo, na dengue hemorrágica, nos casos graves de influenza ou nos quadros de sepse: o dano causado pelos microrganismos perde importância para o mal produzido pelo descontrole do próprio sistema imunológico.

 

A proteína identificada pelos pesquisadores modula a reação das defesas naturais e garante que elas não serão nocivas aos tecidos. A substância controla a permeabilidade dos vasos, que costuma aumentar quando ocorre uma inflamação de todo o organismo. A princípio, a reação é benéfica, pois permite que as células de defesa saiam dos vasos e atinjam as áreas doentes. Mas, fora de controle, pode tornar-se perigosa e danificar células sadias.

 

O papel da proteína no sistema cardiovascular foi desvendado por Dean Li, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Ele procurava fatores que orientam o crescimento de vasos sanguíneos. Descobriu que a Slit não era um desses fatores, mas percebeu que ela tinha outro papel muito relevante: a capacidade de diminuir a permeabilidade dos vasos.

 

Alternativa promissora

 

Em conjunto com pesquisadores de todo o mundo, resolveu testar o novo composto. No Brasil, o pesquisador Fernando Augusto Bozza, do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec-Fiocruz), utilizou a proteína em camundongos com sepse causada por infecção no abdome: 90% dos animais sobreviveram. A porcentual de mortalidade em cobaias não tratadas foi de 40%.

 

Outros grupos também testaram a proteína em camundongos com gripe aviária e inflamação pulmonar causada por bactérias. Nos dois casos, a sobrevivência foi maior nos camundongos que receberam a proteína Slit.

 

"É uma alternativa promissora", aponta Bozza. Ele recorda que o tratamento dos quadros de infecção grave costuma se concentrar em antibióticos ou antivirais para eliminar o microrganismo causador da doença, além de medidas de manutenção da vida, como ventilação, controle da pressão e hidratação. Mas não há nada capaz de modular o risco associado à resposta imunológica.

 

De qualquer forma, o pesquisador brasileiro aponta que serão necessários anos de pesquisa para a produção de um medicamento, talvez uma década.

 

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