Science/Divulgação
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Descobertas novas características sobre hibernação dos ursos

Embora metabolismo dos ursos pretos desacelere em cerca de 75% durante o período, sua temperatura corporal cai apenas 5ºC a 6ºC

estadão.com.br com Efe,

17 Fevereiro 2011 | 21h00

SÃO PAULO - Os ursos negros, encontrados na América do Norte, apresentam uma grande - e até então desconhecida - queda no seu metabolismo durante e depois da hibernação, que ocorre durante o inverno. A descoberta foi feita por cientistas do Instituto de Biologia do Ártico, da Universidade do Alasca, e publicada na edição desta quinta-feira, 18, da Science.

 

Em geral, o metabolismo de um animal diminui pela metade a cada 10ºC de queda na temperatura corporal. Embora o metabolismo dos ursos pretos desacelere em cerca de 75%, sua temperatura do corpo caia apenas de 5ºC a 6ºC.

 

A supressão metabólica foi uma surpresa, já que a diminuição da temperatura corporal de ursos hibernando foi moderada. Os pesquisadores também disseram estar surpresos com a permanência do baixo metabolismo mesmo após o fim do período de hibernação.

 

Durante o período de hibernação, os ursos passam de cinco a sete meses sem comer, beber, urinar ou defecar. Neste período, esses animais respiram apenas uma ou duas vezes por minuto e seu coração se desacelera entre as respirações.

 

Segundo o grupo de cientistas, hibernar pode ser uma solução para que o corpo humano resista a uma viagem espacial de longa distância. A descoberta sobre o padrão metabólicos dos ursos durante o período de hibernação levou os pesquisadores a pensar que isso poderia ser útil para os humanos no futuro e eles constataram que a aplicação dos mecanismos de supressão metabólica em situações de emergência poderia salvar vidas.

 

"Uma rápida redução da atividade metabólica das vítimas de um derrame cerebral ou de um ataque cardíaco poderia deixar o paciente em um estado estável e protegido, o que daria aos médicos mais tempo para tratá-lo", revelou um dos pesquisadores.

 

A descoberta também poderia ser útil para uma longa viagem espacial, pois, se o corpo humano pudesse alcançar este tipo de hibernação, a viagem a um planeta distante ou a um asteroide poderia ser mais suportável para os astronautas.

 

Este é o primeiro estudo que mediu as taxas metabólicas e a temperatura corporal de ursos negros que hibernaram durante o inverno em condições naturais. Anteriormente, limitações técnicas impediam o acompanhamento contínuo a longo prazo de tais animais - foram observados cinco ursos negros durante a pesquisa.

 

Método. Transmissores de rádio foram implantados em cada um urso para registrar a temperatura corporal, os batimentos cardíacos e a atividade muscular. Os animais foram mantidos em estruturas que imitam antros, longe da perturbação humana, e monitorados através de câmeras infravermelhas.

 

Os pesquisadores contam que esperavam que o metabolismo dos animais retornasse aos níveis normais assim que eles saíssem dos locais onde hibernavam, mas perceberam que, mesmo com o fim do inverno e do aumento da temperatura dos ursos, que chegou perto dos 37ºC, a taxa metabólica dos animais continuou ainda cerca de metade do nível normal. O período de estabilização dos animais variou de duas a três semanas.

 

Ursos em período de hibernação respiram, em média, uma ou duas vezes por minuto, o coração desacelera e os batimentos cardíacos às vezes acontecem somente a cada 20 segund

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