Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Desconfiança e resistência ainda afetam imunização contra a gripe

A desconfiança sobre a eficácia e o medo de uma reação à vacina são os principais motivos que fazem muitas pessoas evitarem a imunização

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2018 | 03h00

SÃO PAULO - A desconfiança sobre a eficácia e o medo de uma reação à vacina são os principais motivos que fazem muitas pessoas evitarem a imunização. É o caso da universitária Lilian Pezzotti, de 35 anos, que tomou a vacina contra gripe por duas vezes e relata ter ficado doente uma semana depois em ambas as ocasiões. Neste ano, nem tentou tomar a vacina. “No meu caso, não vi benefício nenhum. Continuei pegando gripe do mesmo jeito. Aliás, fiquei foi pior depois de ter tomado a vacina. Eu me senti muito mal. Então, desde o ano passado já não tomo mais.”

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Hoje, ela já está gripada. Questionada se, após a recuperação, vai procurar uma clínica particular para pagar pela vacina, rejeita. “Não tomo nem de graça.”

Lilian conta que a avó materna, idosa, também não quer mais tomar a vacina desde que, no ano passado, ficou doente dias depois de ser imunizada. “A minha outra avó tomou a vacina este ano e ficou tão ruim de gripe quanto eu.”

Na empresa onde trabalha o engenheiro eletrônico Eduardo Venturini, de 42 anos, teve campanha de vacinação, mas ele optou por não ser imunizado. “Duas pessoas que tomaram a vacina ficaram bastante doentes. Não sei o quanto essa vacina é efetiva. É por isso que não tomo”, explica. 

Além de ter dúvidas sobre a eficácia do imunizante, outro motivo pesou na decisão: a mulher, Márcia Garcia, administradora de empresas de 42 anos, nos últimos dois anos tomou vacina na rede privada de saúde e, nas duas ocasiões, ficou doente 15 dias após a imunização. “Neste ano, ela decidiu não tomar. No ano passado, teve de tomar antibiótico porque o caso dela foi tratado como pneumonia.”

Crianças. O casal ainda tem dúvidas se os filhos gêmeos de 7 anos vão tomar a vacina. “Provavelmente para eles, sim, devemos dar a vacina. Mas não temos uma decisão ainda”, afirma ele. 

Já a farmacêutica Camila Lellis, de 35 anos, não sabe se imunizará ou não o filho Rafael, de 5 anos. Quando tinha 1 ano, em 2013, o menino foi vacinado e pegou uma gripe muito forte dias depois. 

“A pediatra dele disse que a gripe não era causada pela vacina, mas fiquei preocupada”, conta. Por causa disso, em 2014, Camila optou por não imunizar a criança. Mas em 2015 – após ver casos de morte que teriam sido causadas pela gripe – e em 2016, Rafael foi vacinado. Já no ano passado, não. “Agora, estou pensando.”

Crianças exigem atenção maior

Conforme estudos internacionais, sobretudo americanos, uma pessoa infectada pelo influenza é capaz de transmitir o vírus para até dois contatos não imunes. As crianças entre 1 e 5 anos são as principais fontes de transmissão dos vírus na família e na comunidade – e podem espalhar a doença por até três semanas. Recentemente, comprovou-se que os vírus sobrevivem em diversas superfícies (madeira, aço e tecidos) por entre 8 e 48 horas./ COLABOROU ANA PAULA NIEDERAUER

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