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Descontrole com mosquito indica décadas de falhas

'Aborda-se a dengue como uma questão de saúde, mas ela é, na verdade, consequência de falhas de vários ministérios e secretarias'

Edimilson Migowski, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2015 | 08h34

A falta de controle do mosquito e das doenças transmitidas por ele têm relação com várias falhas de gestão. Em primeiro lugar, temos de entender que várias condições sociourbanas do País vêm favorecendo a disseminação do vetor. Há um crescimento urbano desordenado, onde a favelização é uma realidade. O fornecimento de água em muitas cidades não é algo regular, tornando necessário o armazenamento.

Aborda-se a dengue como uma questão de saúde, mas ela é, na verdade, consequência de falhas de vários ministérios e secretarias. É falha de educação, de saneamento, de planejamento urbano, de obras e infraestrutura.

Outro ponto é o combate não efetivo ao mosquito. Somente nos últimos anos é que começamos a perceber um pouco mais de competência nas campanhas de combate. Antes se falava em um “Dia D” de combate. Ou você combate o vetor por uma década, para ter um retorno desse investimento, ou vai ficar contabilizando dor, sofrimento e mortes que seriam evitadas com medidas de saúde pública mais eficientes.

Outra questão é a atenção para a globalização. Eventos mundiais, como a Copa do Mundo, trouxeram para cá pessoas de todas as partes do planeta. Aí você tem toda uma população suscetível a novas doenças, como chikungunya e zika. Nas últimas décadas, o poder público falhou no combate a todos esses problemas. Falhou quando não deu peso à infestação das casas, falhou quando chamou a população a um dia D e falhou, muitas vezes, em negar epidemias.

EDIMILSON MIGOWSKI É PROFESSOR DE INFECTOLOGIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

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