‘Descredenciamento pode sobrecarregar o sistema público’

Para diretor de funerária de Sorocaba, acordo era bom para médicos e pacientes que não podem pagar por um plano

José Maria Tomazela, Tatiana Fávaro e Karina Toledo,

10 de novembro de 2011 | 22h30

A tentativa do Cremesp de forçar o descredenciamento dos médicos conveniados a funerárias sobrecarregará o Sistema Único de Saúde (SUS), diz Arany Marchetti, diretor da Ossel, de Sorocaba. “Nossa clientela não tem condições de migrar para planos.”

Segundo ele, a empresa contata os médicos e oferece o serviço às famílias que aderem ao plano funerário. “Temos 80 mil famílias associadas, um universo de 500 mil pessoas. Centenas de médicos aceitam nosso cartão.” Grandes hospitais, laboratórios e clínicas também são parceiros.

Marchetti disse que muitos médicos foram notificados e estão deixando de atender. “É lamentável, porque é um acordo bom também para eles. Em vez de receberem R$ 30 do plano de saúde, recebem R$ 75 do nosso associado.” Para Marchetti, a pressão parte dos planos.

A funerária Ofebas, também de Sorocaba, lançou o plano Pro-Family há 15 anos e soma 12 mil associados. O plano inclui descontos de até 50% em hospitais, médicos, dentistas, clínicas e laboratórios. “Entramos em contato com o Cremesp, mas não tivemos retorno. Não estamos fazendo nada ilegal”, diz a gerente Elizabete Cristina Silveira.

O pediatra E.S.J. recebeu a notificação para se descredenciar do Pro-Family. Ele afirma que continuará dando o desconto para os que já são clientes. “Eles pagam 50% do valor da consulta particular, mas à vista. O plano de saúde não paga nem 20% e ainda demora.”

Uma funcionária do Grupo Flamboyant, de Campinas, que não quis se identificar, disse que a empresa vem descredenciando os médicos conforme orientação do Cremesp. Cerca de 80% já teriam se desligado. Antes, 380 profissionais trabalhavam em parceria com o plano funerário.

Ricardo Sabanae, administrador Família Excel, afirma que a empresa pode ofertar serviços de assistência à saúde sem ter o registro na ANS por ser uma cooperativa. “Quem adquire um plano se torna um cooperado e paga uma mensalidade em torno de R$ 12 e depois uma média de R$ 40 por consulta.” Mas Sabanae reconhece que, com o baixo valor da mensalidade, a empresa não pode oferecer cobertura integral. “Cobre apenas consultas e exames.”

Rosana Chiavassa, advogada especialista em defesa do consumidor, diz que esse tipo de serviço poderia existir para setores que não tenham regulamentação própria. “Podem vender planos de desconto em salão de cabeleireiro e petshop. Mas há regras próprias para planos de saúde e ela têm de ser cumpridas.”

Procurados, a Organização Campo Santo e o Grupo Athia não responderam.

 

 

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