Desigualdade na saúde ameaça estabilidade social, diz OMS

Organização destacou que expectativa de vida nos países ricos pode ser até 40 anos maior do que nos pobres

Efe

14 de outubro de 2008 | 15h49

As enormes desigualdades no acesso à saúde ameaçam a estabilidade social e a segurança, advertiu nesta terça-feira, 14, a Organização Mundial de Saúde (OMS), que destacou que a expectativa de vida nos países ricos pode ser até 40 anos maior do que nas nações pobres.   Veja também:  Brasil é exemplo na atenção básica à saúde, diz OMS   O Relatório Mundial de Saúde 2008, dedicado este ano a avaliar o atendimento primário de saúde, chega a conclusões muito críticas sobre a forma como aumentaram os desequilíbrios da saúde entre os países e entre grupos de população dentro de um mesmo Estado.   Assim, o gasto público em saúde varia de US$ 20 por pessoa por ano em certos países até US$ 6 mil em outros.   Em países de renda média ou baixa, 5,6 milhões de pessoas precisam pagar metade de todas as suas despesas médicas, o que, somado aos custos cada vez mais elevados do atendimento médico, leva a cada ano mais de 100 milhões de pessoas para baixo da linha da pobreza.   As diferenças em matéria de acesso também são chocantes, segundo a OMS, que cita o caso de Nairóbi, onde o índice de mortalidade entre crianças menores de 5 anos é de 15 entre cada mil nas zonas mais ricas da cidade, enquanto nas áreas pobres é de 254.   "Os dados indicam uma situação na qual muitos sistemas de saúde perderam sua orientação em um acesso justo ao atendimento, sua capacidade de investir os recursos inteligentemente e de cobrir as necessidades das pessoas, principalmente dos pobres", destaca o Relatório Mundial de Saúde 2008.   Uma das explicações desta situação é que, em muitos casos, o atendimento se baseia em um modelo centrado nas doenças, na alta tecnologia e no cuidado especializado, esquecendo praticamente as possibilidades de prevenção.   Segundo cálculos da OMS, "um melhor uso das medidas preventivas existentes poderia reduzir a carga global de doenças em até 70%".   Por outro lado, o relatório critica os casos em que "especialistas realizam tarefas que são melhor efetuadas por clínicos gerais, médicos de família ou enfermeiras", o que contribui para o encarecimento do serviço e, portanto, para que menos pessoas tenham acesso a ele.   Destaca que o atendimento primário de saúde oferece a oportunidade de enfrentar três males do século XXI: os estilos de vida que fazem mal à saúde, a urbanização rápida e sem planejamento e o envelhecimento da sociedade.   Lavar as mãos   Um fato tão simples como lavar as mãos com sabão antes de comer ou após ir ao banheiro reduziria à metade o número de mortes de crianças por diarréia, afirma o Fundo das Nações Unidos para a Infância (Unicef), que celebra na quarta-feira, 15, a primeira edição do Dia Mundial de Lavagem das Mãos.   Segundo esta entidade, 5.000 crianças com menos de cinco anos morrem a cada dia - 1,7 milhão por ano - por causa de doenças diarréicas perfeitamente evitáveis.   A metade destas mortes poderia ser evitada com o simples procedimento de lavar as mãos com sabão nos momentos chaves, disse a porta-voz do Unicef em Genebra, Veronique Taveau.   Lavar as mãos com sabão também pode reduzir a incidência de infecções respiratórias em 23% dos casos, entre elas a pneumonia, a primeira causa de morte de crianças com menos de cinco anos e que mata a cada ano 1,8 milhões pequeninos.   Considerando que lavar as mãos com sabão é "a intervenção mais efetiva e de menor custo" para evitar estas doenças, o Unicef lançou pela primeira vez o Dia Mundial de Lavagem de Mãos, que será celebrado amanhã em mais de 60 países em desenvolvimento, sobretudo na Ásia e na África, com diferentes atividades.   "O que estamos lançando é uma verdadeira batalha em nível planetário", declarou Taveau, que destacou o fato de "os protagonistas serem crianças".   "São eles que vão ensinar os adultos, seus pais, que um gesto simples como lavar as mãos com sabão pode salvar milhões de vidas", acrescentou.   Em inúmeros países africanos o Unicef organizou eventos em escolas, durante as aulas ou no intervalo entre elas, para mudar o comportamento e favorecer a lavagem das mãos antes das refeições e após ir ao banheiro.   Segundo as informações do Unicef, esta prática é muito menos freqüente do que se pensa. No mundo todo entre 0% e 34% são adeptos dela.   "Queremos que as atividades para ensinar esta prática sejam um momento lúdico, divertido e higiênico", declarou a porta-voz.   Por isto, os eventos vão desde a criação de clubes de saúde meio ambiental em colégios da Nigéria, onde as próprias crianças ensinarão sua comunidade as virtudes de lavar as mãos, até o projeto "pequenos doutores" que será desenvolvido na Indonésia.

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