Detectadas anomalias no cérebro de viciados em cocaína

Exames indicam uma 'forte diminuição da massa' nos lóbulos frontais dos viciados, que afetam funções essenciais do cérebro

Efe

21 de junho de 2011 | 11h33

LONDRES - Cientistas do Reino Unido encontraram "grandes anomalias" no cérebro dos viciados em cocaína, o que poderia explicar o comportamento compulsivo normalmente associado ao consumo dessa droga.

 

Os exames cerebrais efetuados indicam uma "forte diminuição da massa" nos lóbulos frontais dos viciados, que afetam funções essenciais do cérebro como a tomada de decisões, a memória e a atenção.

 

Karen Ersche, do Behavioural and Clinical Neuroscience Institute da Universidade de Cambridge (Inglaterra), que dirigiu o estudo publicado na revista Brain, descobriu que quanto mais tempo um indivíduo consumir cocaína, maior é seu déficit de atenção e seu recurso à droga tem caráter mais compulsivo.

 

A maioria dos consumidores de cocaína "são pessoas inteligentes, que chegam a todo tipo de extremos para comprar a droga, cada vez mais droga, o que as faz colocar em risco seu trabalho e família", explica Ersche.

 

Na pesquisa, a equipe dirigida pela cientista examinou os cérebros de 60 indivíduos dependentes de cocaína e os comparou com os de 60 pessoas que não tinham nenhum histórico de consumo de drogas e identificou "grandes anomalias".

 

Concretamente, descobriu uma redução da massa na crosta orbitofrontal, área responsável pela tomada de decisões e o cumprimento de objetivos.

 

Entre as outras áreas afetadas pelo consumo de cocaína está a ínsula, que desempenha um importante papel na aprendizagem e na sensação de ansiedade, assim como o cíngulo, responsável pelos processos emocionais e pela atenção.

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