Detector de partículas é instalado do lado de fora na estação espacial

Instrumento de US$ 2 bilhões pode redefinir o entendimento do universo atual, filtrando raios cósmicos de alta energia

Reuters com estadão.com.br

19 Maio 2011 | 10h53

O detector de partículas Espectrômetro Magnético Alfa, de US$ 2 bilhões, foi montado do lado de fora da Estação Espacial Internacional nesta quinta-feira, 19, com o objetivo ambicioso de descobrir novos tipos de matéria.

Os astronautas visitantes do ônibus espacial Endeavour usaram gruas mecânicas para retirar o instrumento de 7,5 toneladas, conhecido como AMS, do compartimento de carga da nave e instalá-lo na estrutura de metal da estação, onde irá operar durante toda a vida útil da estação.  

 

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"O AMS ficou maravilhoso na estrutura", disse Mark Kelly, comandante da Endeavour, por rádio para o cientista-chefe do programa, o ganhador do Prêmio Nobel Samuel Ting, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).

O instrumento. O espectrômetro é feito para filtrar raios cósmicos de alta energia que percorrem o espaço em busca de sinais de matéria escura, antimatéria e outros fenômenos que não podem ser detectados por telescópios comuns.

Os cientistas esperam que o AMS redefina seu entendimento do universo, assim como o Telescópio Espacial Hubble desbravou novas fronteiras na astronomia, incluindo a espantosa descoberta de que o ritmo da expansão do universo está aumentando.

O AMS tem um ímã poderoso que conduz os raios cósmicos por uma série de detectores que podem revelar cargas elétricas, níveis de energia e outras informações. Os dados são coletados a um ritmo de 25 mil vezes por segundo, processados por computadores de bordo e reencaminhados aos cientistas na terra.

"Muito obrigado pelo grande voo e pela entrega em segurança do AMS à estação. Seu apoio e seu trabalho fantástico nos deixaram um passo mais perto de atingir o potencial científico do AMS", disse Ting, que supervisiona uma equipe de 600 pessoas de 16 países, por rádio para as tripulações do ônibus espacial e da estação.  

 

A missão. A Endeavour decolou na segunda-feira para um missão de 16 dias, a penúltima antes de a Nasa aposentar sua frota de três ônibus espaciais, e chegou à estação na quarta-feira. Dezesseis nações são parceiras no projeto da Estação Espacial de US$ 100 bilhões.

 

Inspeções durante o voo mostraram algum dano ao escudo anti-calor na parte inferior da Endeavour. "Há três áreas que preocupam um pouco. A equipe no solo decidirá nos próximos dias se temos que examinar isso melhor, mas vimos este tipo de coisa antes e não nos preocupa muito", disse Kelly nesta quinta-feira durante entrevista diretamente do espaço.

 

O plano da Nasa depois do fim do programa de ônibus espaciais é fazer com que os astronautas americanos sejam transportados até a Estação Espacial Internacional por meio da nave Soyuz, da Rússia, talvez até a metade da atual década (o serviço prestado pela Rússia custa US$ 51 milhões por astronauta para os Estados Unidos). Eventualmente eles pretendem contar com naves europeias e japonesas também. Depois, a Nasa deve começar a usar os serviços de companhias privadas nas suas viagens para o espaço. Atualmente as empresas particulares cobram US$ 63 milhões por passagens para 2014.

 

Além de instalar o AMS do lado de fora da ISS usando braços robóticos, a equipe da Endeavour tem quatro caminhadas espaciais planejadas para ajudar a Estação Espacial a se preparar para o fim do programa de ônibus espaciais.

 

O ônibus também entrega uma plataforma carregada com grandes peças de reposição, na esperança de manter a estação em funcionamento por mais 10 anos. O carregamento inclui duas antenas de comunicações de banda-S, um tanque de gás de alta pressão, o sistema robótico canadense Dextre e escudos para proteger a ISS de micrometeoritos.

 

Após o retorno do Endeavour, as atenções da Nasa se voltarão para o lançamento do Atlantis, que está previsto para o dia 28 de junho. Esse será o 135º e último lançamento de ônibus espacial da agência espacial norte-americana.

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