Detetives da saúde, os heróis que desvendam doenças

Eles procuram pistas, investigam cada cantinho e, a qualquer sinal de mistério, estão sempre à disposição. Apesar da semelhança com um dos maiores detetives do mundo, o inglês Sherlock Homes, engana-se quem pensa que esses profissionais agem motivados por algum marido (ou esposa) traído. Conhecidos como "Detetives da Saúde", os integrantes do grupo Episus é formado por médicos, enfermeiros, biomédicos e veterinários. Ligados à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, os detetives são supervisionados pela direção do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). O trabalho parece inspirado no seriado americano "House", em que o médico Dr. Gregory House investiga casos difíceis e letais, mas o alvo dos nossos detetives paulistas não segue roteiro nem é de mentira. Na vida real, eles são encarregados de barrar as doenças que desafiam a medicina. A turma é formada por oito pessoas. Independentemente da hora, dia ou mês, lá está o grupo tentando descobrir o que fez a população de uma cidade adoecer ou procurando as causas de uma morte suspeita. "Trabalhamos em tempo integral e em qualquer região onde houver risco de surtos de dengue, meningite, catapora, leptospirose, rotavírus e outras", conta a coordenadora do grupo, a médica infectologista Alessandra Pellini. "O problema é que nem sempre o diagnóstico é claro e imediato. Por isso, temos que passar dias em uma casa, escola ou qualquer outro ambiente para recolher o número máximo de pistas e tentar descobrir o que de fato causou a doença", completa outra detetive da saúde, a veterinária Eliana Suzuki. O caso da chinesa - Para conseguir desvendar os mistérios, a investigação não pode ter falhas. A enfermeira "detetive" Flávia Moraes Franca chegou a abrir mão de feriados em nome da saúde pública. Na véspera do Natal do ano passado, Flávia passou o dia todo no município de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, investigando o morte repentina de uma mulher chinesa. A suspeita era de intoxicação por botulismo. "A família quase não falava português. Tive de conversar com um parente por meio de mímicas e desenhos, na porta do hospital", lembra a enfermeira. Além dos problemas de comunicação, ela enfrentou outras barreiras, como o fato de o caso ter ocorrido em pleno feriado, o que dificultou as investigações. "Minha programação para comemorar o Natal foi totalmente alterada. Trabalhei dois dias direto. Cheguei a Mogi das Cruzes (também na região metropolitana de São Paulo) para comemorar a data com minha família às 18h do dia 24. Não levei presente para meu amigo secreto porque não consegui comprar", conta Flávia. Apesar de exigir sacrifícios, a atividade também traz recompensas. Para a maioria dos profissionais do ramo, a melhor delas é a solução do mistério. A biomédica e componente do grupo Ana Lívia Geremias, recentemente esteve em uma investigação. "Um surto de febre maculosa que aconteceu em Campinas (a 100 quilômetros de São Paulo). Não vou descansar enquanto não desvendar a causa. É muito bom ajudar uma cidade inteira", orgulha-se a detetive.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2006 | 14h45

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