Marcelo Casal Jr / ABr
Marcelo Casal Jr / ABr

Dez cidades correm risco de surto de dengue, afirma ministério

Levantamento apontou que 102 municípios se encontram em situação de alerta, entre eles 17 capitais

Solange Spigliatti, da Central de Notícias,

24 de novembro de 2009 | 14h08

Dez municípios brasileiros correm risco de enfrentar epidemia de dengue este ano, enquanto 102 estão em situação de alerta, segundo o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) 2009, divulgado nesta terça-feira, 24, pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Dos dez municípios com risco de surto, quatro estão no Nordeste: Camaçari, Ilhéus e Itabuna, na Bahia, e Mossoró, no Rio Grande do Norte.

 

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O levantamento avaliou 157 municípios. "Dos 102 municípios em situação de alerta, 17 são capitais", informou o ministro. "E identificamos dez cidades que se encontram em situação de risco de surto", acrescentou José Gomes Temporão, ministro da Saúde.

 

Temporão ressaltou a importância de dar atenção aos 102 municípios que se encontram em situação de alerta. "Qualquer descontinuidade nas ações de controle pode piorar o quadro, passando para uma situação de risco de surto", afirmou.

 

"O que foi feito agora é um retrato do tempo, que nos permite traçar a estratégia para esse período de chuvas e de aquecimento em todo o país. Só por causa das enchentes ocorridas no Rio de Janeiro, tivemos de recolher 15 mil pneus para evitar problemas posteriores", disse o ministro. "Erradicação mesmo, só quando tivermos a vacina, que nos protegerá contra os quatro tipos da doença", completou.

 

O levantamento apresentou também um retrato dos tipos de criadouros mais comuns em cada região - águas, lixo e residência. A maioria das larvas encontradas nas regiões Norte e Nordeste estão ligadas aos ambientes de abastecimento de água.

 

"Identificamos que 63,9% dos criadouros no Nordeste estão associados a caixas d'água, tambores, tonéis, poços. Na Região Norte, esse porcentual é de 35,7%", informou Temporão.

 

"Já no Sudeste a predominância é nos depósitos domiciliares, como vasos, pratos, ralos, lajes e piscinas, onde foram encontrados 49% de criadouros, e na Centro-Oeste predominou no lixo [resíduos sólidos], com 44,6%", acrescentou.

 

Queda nos casos da doença

 

Os casos de dengue caíram 46,3% no Brasil este ano, em comparação ao ano passado, segundo balanço parcial do Ministério da Saúde. Segundo o relatório, em 2008 foram registrados 758.051 casos, neste ano, o número chegou a 406.883.

 

A comparação se refere aos casos registrados nas 30 primeiras semanas de 2009, em relação ao mesmo período de 2008. De 1º de janeiro a 1º de agosto deste ano, foram registradas 406.883 notificações em todo o Brasil, contra 758.051 no mesmo período em 2008.

 

A redução foi observada em 20 estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro registrou a maior queda (95,9%), seguido do Rio Grande do Norte (93,0%) e Sergipe (90,4%). Os estados do Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram aumento no número de casos.

 

Os casos graves de dengue caíram 79,2% e passaram de 20.579 nas 30 primeiras semanas de 2008 para 4.281 no mesmo período de 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD).

 

Separando essas duas formas graves da doença, os casos de DCC tiveram redução de 83,6%, passando de 16.911, em 2008, para 2.767, em 2009. São pessoas que tiveram complicações decorrentes da doença, mas que não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica. No caso da FHD, a queda foi de 58,7%: foram 3.668 casos em 2008, contra 1.514, em 2009.

 

O balanço parcial também revela uma redução de 63,2% nas mortes em decorrência da dengue. De acordo com dados enviados até 1º de agosto, houve 166 óbitos neste ano, sendo 103 por FHD e 63 por DCC. No mesmo período do ano passado, foram registradas 451 mortes (213 por FHD e 238 por DCC).

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