Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Dez cidades mais ricas do Brasil registram mais da metade das infecções e mortes por covid-19

São Paulo e Rio de Janeiro, somadas, respondem por 37% dos óbitos e 29% de todos os diagnosticados com a doença

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 12h00

RIO - Mais da metade das infecções - e também das mortes - pelo novo coronavírus no Brasil foram registradas nos dez municípios mais ricos do País, aponta levantamento feito pelo Estado. Líderes nos rankings de riqueza e também de atingidos pela epidemia, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, somadas, respondem por 37% das mortes e 29% de todos os diagnosticados com a doença em território nacional. Apesar de concentrarem a maioria dos doentes (60%) e vítimas fatais (59%), as dez municipalidades de maior Produto Interno Bruto somam menos de 20% -  17,3% - da população brasileira.

Com um PIB de quase R$ 700 bilhões em 2017 e 12,2 milhões de habitantes segundo estimativa de 2019, a capital paulista, até segunda-feira, 27, era líder nos dois rankings - da riqueza e da pandemia - no Brasil. Tinha registrado oficialmente 14.104 casos e 1.272 mortos por covid-19.  Sozinha, registrou 21% de todos os casos e 28% das mortes em todo o País.

O Rio, com PIB de 337,5 bilhões,  vinha em seguida: tinha 5261 doentes (8% do total nacional)  e 405 óbitos (9%) oficialmente registrados. Na lista das dez cidades mais ricas do País, apenas Brasília, capital federal, e  Osasco (SP), cidade de peso regional, não são capitais de Estado.

Ainda nesse ranking, a décima colocada em riqueza, Fortaleza, com 61,5 bilhões e PIB, pula, quando se trata da doença, para segundo lugar em casos (5326) . Fica à frente até do Rio, apesar de sua população equivaler a menos da metade da carioca. Também vai para terceiro em mortes (316). Manaus, capital amazonense que, beneficiada pela Zona Franca, tem um PIB de R$ 73,2 bilhões, registrou 2738 casos e 256 mortes até à segunda.  

A lista dos municípios mais ricos do País também relaciona Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Salvador. Juntas, essas cidades, que somaram R$ 310 bilhões em riqueza produzida em 2017, registraram 2.963 casos e 90 mortes por covid-19.

Os cálculos do Estado foram feitos com base no Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios de 2017 (último disponível) e em estimativas de população das cidades para 2019. Ambos são calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados sobre casos e mortes de covid-19 baseiam-se em estatísticas do Ministério da Saúde e de secretarias estaduais e municipais de Saúde, atualizadas diariamente. Foram consultados boletins de 27 de abril.

Cidades

A concentração de riqueza, casos e óbitos causados pelo novo coronavírus também chama atenção no Estado de São Paulo, onde a capital responde por 65% dos casos e 70% das mortes pela doença. Juntas as dez cidades respondem por 77% de todos os infectados e 81% das mortes. Também integram a lista: Osasco, Campinas, Guarulhos,  Barueri, São Bernardo do Campo, Jundiaí, São José dos Campos, Paulínia e Ribeirão Preto.

No Rio de Janeiro, os números são semelhantes. A capital fluminense registrou  dois terços (66%) dos casos do novo coronavírus e quase dois terços (63%) das mortes causadas por covid-19 no Estado. Segundo maior PIB fluminense, Duque de Caxias (onde fica a refinaria do mesmo nome, da Petrobrás) teve 319 casos e 67 mortes por covid-19 até à noite de segunda, 27.  Somadas, as dez cidades mais ricas do Estado tiveram  85% dos doentes e 89% dos mortos pelo novo coronavírus no Estado. Elas reúnem dois terços dos habitantes. Da lista, também constam: Niterói, Campos dos Goytacazes, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Macaé, Petrópolis, Maricá e Volta Redonda.

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