Diabéticos brasileiros superam preconceito para escalar o Everest

Iniciativa faz parte do projeto 'Diabéticos sem Fronteiras'; jovens brasileiros se prepararam durante 22 dias para a expedição e provam que a doença não os impede de ter uma vida normal

Felipe Cordeiro, O Estado de S. Paulo

14 Novembro 2013 | 22h36

Quatro jovens brasileiros diabéticos aceitaram o desafio de escalar o Monte Everest e provaram que a doença não os impede de levar uma vida normal, podendo inclusive praticar esportes radicais. Rodrigo Ferreira, de 32 anos, Viviane Alano, de 26, Letícia Socoloski, de 24, e Tomás Boeira, de 20, todos com diabete tipo 1, foram monitorados através de um aparelho por um centro médico na Espanha. "Eu brinco que foi uma doce aventura", afirma a empresária Letícia Socoloski.

"Há preconceito de que diabéticos não podem fazer atividades físicas, mas uma história como a nossa mostra que é possível superar os limites", declara o músico e professor de educação musical Rodrigo Ferreira.A iniciativa faz parte do projeto "Diabéticos sem Fronteiras", liderado pelo alpinista espanhol Josu Feijoo, o primeiro diabético a escalar o ponto mais alto do mundo.

Viagem foi realizada entre os dias 18 de outubro e 8 de novembro (Foto: Josu Feijuo/Diabéticos En El Everest) 

Os quatro brasileiros são integrantes do Instituto da Criança com Diabetes (ICD), sediado em Porto Alegre (RS), e participam de um grupo de corrida. Nenhum, porém, havia praticado alpinismo antes. Eles foram selecionados após o convite de Feijoo ao ICD. No ano passado, o espanhol realizou a mesma expedição ao Everest com quatro diabéticos de seu país.

O objetivo inicial era a escalada até o acampamento base do Monte Everest, que fica a 5.350 metros de altitude. No entanto, apenas Feijoo e Boeira conseguiram. Os demais desistiram, mas não por causa de problemas relacionados à doença e, sim, por adversidades climáticas enfrentadas. "Não nevava há 28 anos nesta época do ano no Himalaia, o que atrapalhou a nossa subida", diz Letícia. "Fora que o trajeto em si já é complicado."

Mesmo assim, Ferreira, Viviane e Letícia escalaram aproximadamente 5 mil metros e esperam que a aventura incentive outros portadores da doença a não desistir de seus sonhos. Por sinal, Letícia pensa alto e quer se tornar a primeira mulher diabética a chegar ao topo do Monte Everest, a 8.843 metros de altitude.

Para se preparar para a expedição, que durou 22 dias, os quatro brasileiros fizeram no Brasil um treinamento intensivo de dois meses. Uma das atividades era subir e descer correndo a Avenida Coronel Lucas de Oliveira, via íngreme da capital gaúcha. "Um tiro de um quilômetro na Lucas de Oliveira equivale a três quilômetros de esforço plano", estima Ferreira.

Durante a escalada, o músico e professor diz que a glicose em seu sangue subiu em alguns momentos, mas que não causou preocupação. "É um problema enfrentado diariamente pelos diabéticos." Os quatro relataram suas experiências no blog Diabéticos en el Everest e em uma página no Facebook.

Diabete. A diabete aflige cerca de 300 milhões de pessoas no mundo, sendo 10 milhões no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). É uma enfermidade que provoca o aumento da quantidade de açúcar (glicose) no sangue, por falta de insulina ou incapacidade do corpo de absorvê-la. Sem a insulina, a glicose se acumula no sangue e é eliminada na urina.

A diabete do tipo 2 é a forma mais comum da doença - corresponde a 90% dos casos - e afeta geralmente pessoas obesas com mais de 40 anos de idade, consequência de maus hábitos alimentares e sedentarismo. Já a diabete do tipo 1 é uma doença autoimune e se manifesta na infância ou na adolescência, causada pela destruição das células produtoras de insulina do pâncreas.

O Dia Mundial da Diabete é comemorado em 14 de novembro como referência ao aniversário do médico canadense Frederick Banting, que, com seu assistente Charles Best, descobriu a insulina, em 1922.

Jovens brasileiros integraram grupo que estimula hábitos saudáveis para portadores de diabete (Foto: Divulgação)

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