Diagnóstico e quimioterapia curam até 80% dos casos de câncer infantil

Segundo o Inca, cerca de 9 mil ocorrências da doença são detectadas por ano no País

Agência Brasil

23 Novembro 2012 | 08h40

BRASÍLIA - Cerca de 9 mil casos de câncer infantil são detectados por ano no país, mas o diagnóstico precoce e a quimioterapia, juntos, são responsáveis pela cura de 80% dessas ocorrências, segundo dados divulgados pelo do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

 

Os tipos mais comuns são a leucemia (doença maligna dos glóbulos brancos) e os linfomas (que se originam nos gânglios), de acordo com o instituto, que lembra o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, lembrado nesta sexta-feira, 23.

 

A onco-hematologista e diretora técnica do Hospital da Criança de Brasília, Isis Magalhães, lembra que a doença em crianças é diferente da diagnosticada em adultos. Nas crianças, as células malignas são geralmente mais agressivas e crescem de forma rápida. Os tumores dificilmente são localizados e o tratamento não pode ser feito com cirurgia.

 

Outra peculiaridade do câncer infantil é que não há forma de prevenção, uma vez que não é possível explicar a razão do surgimento dos tumores. Isis alertou que os sinais da doença podem ser facilmente confundidos com os de quadros bastante comuns em crianças, como infecções. Alguns exemplos são o aparecimento de manchas roxas na pele e anemia. Os sintomas, entretanto, devem se manifestar por um período superior a duas semanas para causar algum tipo de alerta.

 

"É preciso saber identificar quando aquilo está passando do limite e quando é normal. Afinal, qual criança não tem uma mancha roxa na canela de vez em quando? Dependendo da situação, a lista de sinais causa mais desespero nos pais do que ajuda", explica. A orientação, segundo ela, é levar as crianças periodicamente ao pediatra.

 

Isis também defende que os próprios oncologistas pediátricos orientem profissionais de saúde da rede básica sobre os sinais de alerta do câncer infantil. A ideia é que o pediatra geral e o agente de saúde, por exemplo, sejam capazes de ampliar seu próprio grau de suspeita, prescrever exames mais detalhados e, se necessário, encaminhar a criança ao especialista.

 

"A doença não dá tempo para esperar. É preciso seguir o protocolo à risca, porque essa é a chance da criança. O primeiro tratamento tem que ser o correto", diz. Isis destaca também a importância de centros especializados de câncer infantil, já que a doença precisa ser combatida por equipes multidisplinares, compostas por oncologistas, pediatras, neurologistas, cardiologistas, infectologistas e mesmo psicólogos, odontólogos e fisioterapeutas, além do assistente social. 

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