Diagnóstico precoce e remédios ajudam a retardar efeitos do Alzheimer

Doença cerebral degenerativa atinge 5% da população com mais de 65 anos e não tem cura

Agência Brasil

21 Setembro 2010 | 20h05

SÃO PAULO - O diagnóstico precoce aliado ao uso de medicamentos pode ajudar os portadores do mal de Alzheimer, doença degenerativa que causa a morte gradual dos neurônios, a permanecer no estágio leve da doença por mais tempo.

O alerta foi feito nesta terça-feira, 21, Dia Mundial do Alzheimer, pela médica Jerusa Smid, do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “O medicamento promove um período de estabilidade. Há casos em que há uma melhora da memória, mas o tratamento é feito para retardar a evolução da doença”, explica.

Jerusa ressalta que a doença, que atinge cerca de 5% da população com mais de 65 anos, não tem cura e provoca perda de funções como memória, raciocínio, juízo crítico e orientação. Os portadores apresentam, além de lapsos de memória, alterações de comportamento, desorientação espacial e dificuldades para fazer tarefas normais, como se alimentar e se vestir.

Nos estágios mais avançados, a pessoa não reconhece mais familiares nem amigos, até ficar totalmente dependente. “O indivíduo fica repetitivo, incapaz de aprender uma nova informação. Essa alteração de memória é justamente para novas informações, para fatos recentes. A memória de acontecimentos antigos continua bastante preservada no início do quadro. [O paciente] pode ainda não reconhecer lugares que antes lhe eram familiares e se perder nas datas. Pode também ter depressão, apatia, surtos de agressividade, delírios de roubo, [mania de] perseguição e ciúme”, afirma Jerusa.

De acordo com a neurologista, não existe nenhuma forma de prevenir o Alzheimer, mas há estudos que indicam que o cuidado com os fatores cardiovasculares de risco também são importantes para evitar doenças neurodegenerativas. “A prática regular de atividade aeróbica, o controle de doenças como pressão alta, diabetes, colesterol e o não-hábito de fumar fazem do indivíduo alguém com menos chance de desenvolver esse mal”, diz.

A médica aconselha às famílias a prestar muita atenção caso haja um parente que se torne repetitivo, tenha dificuldade para encontrar palavras quando está conversando e, caso percebam esses sintomas, devem procurar um médico geriatra, clínico geral, neurologista ou psiquiatra. “Esses especialistas vão aplicar testes adequados e vão ver se realmente é um problema de memória ou não”, explica.

A neurologista destaca que, quanto mais exercícios o cérebro fizer, menores são as chances de a pessoa desenvolver o Alzheimer. Ela recomenda leitura, palavras cruzadas, jogos de tabuleiro. “É preciso exercitar o pensamento. Se a pessoa tem o hábito de ler todos os dias, está exercitando o cérebro e já está fazendo uma atividade a mais para se proteger contra essas doenças”, avalia.

Jerusa ressalta ainda que as pessoas que convivem com pacientes, sejam parentes ou cuidadores, também devem procurar orientação médica e psicológica. “É uma doença que traz bastante sobrecarga, tanto emocional quanto física, para os cuidadores e familiares, porque o indivíduo se torna cada vez mais dependente. É uma doença em que toda a família acaba sendo envolvida e consumida”, completa.

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