Dificuldade para ouvir em festas pode ser culpa do cérebro

O 'problema do coquetel' parece ser provocado não por deficiência do ouvido, mas de um sistema cerebral

Associated Press,

29 de dezembro de 2008 | 18h39

Se você tiver dificuldades para ouvir o que seus amigos dizem em meio à música alta e às explosões de fogos do réveillon - ao mesmo tempo em que pessoas mais jovens, no mesmo ambiente, parecem capazes de conversar sem grande dificuldade - a culpa pode não ser dos seus ouvidos, mas do seu cérebro.   A dificuldade de acompanhar uma conversa numa sala barulhenta é chamada de "problema do coquetel", e segundo cientistas pode ser provocada pela falha de um" seletor" no cérebro que, subjetivamente, reduz o volume dos sons irrelevantes e focaliza a atenção no que realmente interessa.   "Acredito que (o seletor) seja um participante significativo" do problema do coquetel, disse Robert Frisina, da Universidade de Rochester em Nova York, que estuda o fenômeno.   Cientistas sabem há tempos que o cérebro não apenas recebe sinais do ouvido, mas também pode responder a eles. Quando há muito barulho, o seletor cerebral diz aos ouvidos para reduzir o fluxo de sinal.   Isso ajuda o sistema auditivo a administrar sons altos que, de outra maneira, acabariam sobrecarregando-o. Além disso, como numa festa o ruído de fundo costuma ser mais grave que a conversa de uma pessoa próxima, o seletor provavelmente é capaz de bloquear o barulho com mais eficiência que o diálogo, disse Frisina.   Além disso, o cérebro tem outros meios de isolar a fala de uma pessoa específica. Como a pessoa com quem você está conversando provavelmente está na sua frente, as palavras dela chegam a ambos os seus ouvidos com o mesmo volume. O cérebro pode usar isso para focalizar atenção no que a pessoa está dizendo.   Em 2002, Frisina e colegas publicaram evidências de que o seletor perde eficiência com a idade. A queda de qualidade aparece na meia-idade - dos 38 aos 52 - e acentua-se a partir dos 62.

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