AFP PHOTO/EVARISTO SA
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Governo admite que anúncio da OMS pode afetar o turismo

Ministro reconheceu retração de público a curto prazo; Dilma voltará ao rádio e à TV para pedir mobilização da sociedade

Tânia Monteiro, Isadora Peron e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

01 Fevereiro 2016 | 18h09

BRASÍLIA - Pouco tempo depois do anúncio oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), a presidente Dilma Rousseff reuniu ministros para exigir o envolvimento de todos os níveis de seu governo no combate ao Aedes aegypti. “Quero todos envolvidos, todos os dias”, avisou. Para reforçar a ideia, ela decidiu gravar um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV para pedir a mobilização de toda a sociedade contra o mosquito. Em sua fala, deve também apresentar diversas ações, para mostrar que o governo “não está parado”.

Após a reunião, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, negou que tenha havido negligência do governo nos últimos anos no combate aos criadouros do inseto. “Não acho que dê para falar em negligência, mas em dificuldades. É uma guerra difícil, uma briga contra um inimigo quase invisível”, afirmou.

Jaques Wagner também negou que haja qualquer risco de a Olimpíada do Rio, marcadas para agosto, ser cancelada. Mas reconheceu que poderá haver uma retração de público, além de recomendações para que as grávidas não se arrisquem. “Em um primeiro momento, todo mundo se assombra, se recolhe. Mas, até lá (agosto), esclarecimentos de órgãos como a OMS e as mobilizações terão surtido efeito”, acrescentou. Ele ressaltou que as ações estão sendo feitas não por causa dos Jogos Olímpicos. “Mas por uma questão grave de saúde.”

Dilma não decidiu se o seu pronunciamento irá ao ar nesta terça ou na quarta. No Planalto, as avaliações são de que a fala, gravada no Palácio do Alvorada, teria de ir ao ar de imediato. A presidente tem dito aos seus auxiliares diretos que está “agoniada” porque várias das ações que têm determinado demoram a sair do papel.

Na sexta-feira, Dilma esteve na sala de acompanhamento de ações da microcefalia, onde conversou com governadores, pedindo ajuda deles para o combate ao mosquito. A maior dificuldade do governo, segundo queixas no Planalto, é de que muitas das ações dependem dos Estados e municípios que, em muitos casos, têm demorado a responder ao surto.

Wagner negou também que o pronunciamento de Dilma tenha sido idealizado pela proximidade com o carnaval, mas disse que ela pode até citar o feriado ao pedir mais atenção de brasileiros e turistas. O ex-governador da Bahia aproveitou para fazer um apelo aos artistas. “Espero que deem uma mensagem de alerta contra o mosquito no carnaval”, disse, ressaltando que estava pensando na “voz” que os músicos têm nos trios elétricos de seu Estado. 

‘Contaminar a consciência’. Para ele, “a única forma de lutar contra o mosquito é contaminar a consciência de todos”. Ao defender as ações desenvolvidas pelo governo, para combate ao mosquito, o ministro lembrou que a primeira notificação da doença foi em 22 de outubro e, em 11 de novembro, já havia sido decretado estado de emergência no País por causa da doença. Na opinião dele, houve movimentação de todas as partes. “Desconheço algum governador ou prefeito que não tenha feito campanha, que tenha negligenciado”, declarou.

Jaques Wagner ainda negou que a ausência do ministro da Saúde, Marcelo Castro, naquela entrevista, seja porque ele está desprestigiado pelo governo por causa das suas polêmicas falas. “Não há nenhum balanço nem corda bamba para o Ministro da Saúde”, disse Wagner, ao afirmar que ele saiu porque tinha a gravação de um programa em São Paulo. A mesa onde Wagner deu entrevista, porém, tinha o nome de Castro.

Vacina. Para a OMS, a relação entre zika e microcefalia carece de comprovação. Mas o ministro Jaques Wagner insistiu que, para o Brasil, a relação existe e uma vacina para o zika deve demorar três anos. “Agora, a única vacina que temos é a consciência cidadã de todo mundo.”

 

 

 

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