Henning Bagger/REUTERS
Henning Bagger/REUTERS

Dinamarca matará cerca de 17 milhões de animais para conter nova mutação do coronavírus

'O pior cenário possível seria o início de uma nova pandemia, originada na Dinamarca', disse Kare Molbak, diretor do órgão nacional de controle de doenças infecciosas

Larissa Gaspar, com Agências, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 11h18
Atualizado 27 de novembro de 2020 | 08h13

A Dinamarca vai abater cerca de 17 milhões de visons após humanos serem infectados por uma nova mutação do novo coronavírus identificada nestes animais. O anúncio foi feito anteontem pela primeira-ministra Mette Frederiksen. Autoridades de saúde encontraram cepas do vírus em humanos e visons que apontaram diminuição da sensibilidade contra anticorpos, potencialmente reduzindo a eficácia de futuras vacinas. 

“Temos grande responsabilidade sobre a nossa população, mas, com a identificação da nova mutação, temos responsabilidade ainda maior para com o resto do mundo”, acrescentou a primeira-ministra, que já compartilhou a descoberta com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças. A conclusão foi baseada em testes de laboratório do State Serum Institute, órgão local de controle de doenças infecciosas. 

Diretor do programa de emergências da OMS, Mike Ryan pediu investigação em larga escala da questão. “As autoridades estão investigando o significado epidemiológico e virológico dessa descoberta”, disse a OMS em comunicado à Reuters. 

As cepas do novo vírus foram encontradas em cinco visons e em 12 humanos. As autoridades estimam que existam no país entre 15 milhões e 17 milhões de visons (também conhecidos como minks). Surtos do novo coronavírus em fazendas de criação de visons continuam a ser registrados na Dinamarca, maior produtor de pele de visons. Os esforços para abater os animais infectados começaram em junho. Policiais, militares e guardas nacionais vão participar da operação para acelerar o abate, disse Frederiksen.

Ter uma nova cepa circulando não necessariamente significa uma doença pior ou mais branda, mas pode ser um risco se essa diferença for suficiente para o corpo pensar que é outro vírus, ainda que parecido. “Nesses casos, indivíduos poderiam desenvolver doenças mais de uma vez. E uma vacina contra umas das versões não nos tornaria imune da outra”, diz Rõmulo Neris, virologista da Universidade Federal do Rio (UFRJ). 

Registros de infecção por coronavírus em cães e gatos foram pontuais, e não foi possível comprovar evidência de retransmissão para humanos.

Prudente. Christian Sonne, professor de Veterinária na Universidade Aarhus, acredita que o abate, como prevenção, é prudente e pode evitar um surto mais difícil de controlar no futuro. Na semana passada, ele coescreveu carta na revista Science na qual defende o abate. “China, Dinamarca e Polônia deveriam apoiar e estender a proibição imediata e completa da produção de visons”, dizia o texto, assinado por outros cientistas. 

Medidas de lockdown mais rígidas e esforços de rastrear contatos serão implementados para conter o vírus no norte dinamarquês, onde há várias fazendas de criação de visons. Animais dessa espécie foram abatidos também na Espanha e na Holanda, onde foram achados em ao menos dez fazendas. Lá, esses animais, semelhantes aos furões, são criados por causa de sua pele, muito procurada por fábricas de casacos de luxo. 

“Todas as fazendas onde houver infecção serão limpas”, disse o porta-voz da Autoridade Holandesa de Segurança Alimentar, Frederique Hermie. Segundo ele, o primeiro vison foi infectado por um funcionário de uma fazenda em abril. Semanas atrás, o governo holandês ordenou o abate de 10 mil animais para garantir que as fazendas. 

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