Diretor do Médicos Sem Fronteiras defende ação imediata contra Ebola

Bart Janssens conclamou países ricos a dar apoio contra o surto; grupo tem 66 estrangeiros trabalhando nos países afetados

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2014 | 19h07

RIO - O diretor de operações do grupo Médicos Sem Fronteiras, que está atuando na África Ocidental para socorrer os infectados pelo Ebola, Bart Janssens afirmou nesta sexta-feira, 8, que "declarar Ebola uma emergência internacional de saúde pública mostra quão seriamente a Organização Mundial de Saúde está assumindo o surto atual, mas declarações não salvam vidas". 

Ele defendeu uma "ação imediata em campo" da OMS. "Por semanas, MSF tem repetido que uma massiva resposta médica, epidemiológica e de saúde pública é desesperadamente necessária para salvar vidas e reverter o curso da epidemia. Vidas estão sendo perdidas porque a resposta é lenta demais." 

Janssens conclamou países ricos a agir imediatamente: "Países que possuem as capacidades necessárias devem enviar imediatamente os infectologistas disponíveis e kits de socorro para a região. Está claro que a epidemia não será contida sem um envolvimento massivo destes Estados. Em termos concretos, tudo precisa ser radicalmente ampliado: atendimento médico, treinamento de profissionais de saúde, controle de infecção, rastreamento das pessoas que tiveram contato com pessoas infectadas, vigilância epidemiológica, sistemas de alerta e referência, mobilização comunitária e educação."

O MSF tem 66 profissionais estrangeiros e 610 locais trabalhando na Libéria, na Guiné e em Serra Leoa, os três países mais afetados pela epidemia de Ebola. 961 pessoas morreram, segundo a OMS. "Todos os nossos especialistas em Ebola estão mobilizados, nós simplesmente não podemos fazer mais", afirmou Janssens. Nas últimas semanas, equipes observaram "um preocupante pico na epidemia", com aumento no número de casos aumentando em Serra Leoa e na Libéria. 

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