Mariana Leal/Anvisa
Mariana Leal/Anvisa

Diretores da Anvisa recebem ameaças de morte para negar uso da vacina contra a covid em crianças

Ameaças foram feitas por e-mail aos diretores da agência e a uma instituição de ensino do Paraná. Uso da vacina em crianças de 5 a 11 deve ser solicitado pela Pfizer em novembro

Luiz Henrique Gomes e Julia Affonso, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2021 | 15h37
Atualizado 29 de outubro de 2021 | 16h38

BRASÍLIA - Um homem do Paraná enviou uma ameaça de morte, por e-mail, aos cinco diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na manhã desta quinta-feira, 28. O nome e o CPF do autor da mensagem foram encaminhados ao Ministério Público Federal, à Promotoria do Paraná, às secretarias de Segurança do Estado e do Distrito Federal, aos ministérios da Justiça, da Saúde e da Casa Civil, ao Supermo Tribunal Federal e às presidências do Senado, da Câmara e da República.

O e-mail foi enviado a cada um dos cinco diretores da Anvisa, a endereços gerais de diretorias da agência, e também a instituições escolares do Paraná. No assunto: "Homeschooling x "Vacinas" para infantes - notificação de estabelecimento".

"Aproveito o ensejo para notificá-las, também ao sr. secretário da Educação e ao sr. secretário de Saúde do Paraná, e ao corpo de diretores da Anvisa que, em havendo aprovação da Anvisa para vacinação experimental em crianças de 5 a 11 anos, meu filho será imediatamente extraído da escola e não retornará ao ambiente escolar", escreveu.

Na mensagem, enviada às 8h39, o homem diz que colocará seu filho em "homeschooling" (educação domiciliar"). Ele classifica os imunizantes como experimentais, o que é falacioso. Todas as vacinas contra a covid-19 aplicadas no País já apresentaram resultados de eficácia e segurança em testes clínicos de fase 3. 

"Por identificar uma ameaça contra a saúde e integridade física do meu filho nestas "vacinas" experimentais, sejam o que forem, estou tomando a difícil atitude de retirá-lo do ambiente escolar para preservar a segurança do meu filho", afirmou o autor do e-mail.

"Deixando bem claro para os responsáveis, de cima para baixo: quem ameaçar contra a segurança física do meu filho: será morto."

A agência, atualmente, não analisa nenhum pedido de imunizantes para crianças. A farmacêutica Pfizer deve apresentar o pedido para incluir o grupo na bula da vacina contra a covid em novembro. A fabricante obteve parecer favorável do conselho externo da agência reguladora nos Estados Unidos para a vacinação desta faixa etária, mas a liberação ainda depende de aval.

Na terça-feira, 26, um comitê externo de aconselhamento da FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, recomendou a aplicação da vacina para a faixa etária de 5 a 11 anos. A decisão não é final, mas o órgão oficial costuma seguir as indicações do conselho.

Caso seja aprovada pela FDA, a previsão é que a vacina possa ser aplicada nas crianças estadunidenses a partir da próxima semana, com uma dosagem de um terço da aplicada nos adultos. Na última sexta-feira, a farmacêutica fez uma requisição formal ao órgão, afirmando que o imunizante tem uma eficácia de 90,7% no público de 5 a 11 anos.

Na solicitação aprovada pelo comitê independente da FDA, o intervalo recomendado é de três semanas entre as duas doses. No Brasil, a vacina desenvolvida pela Pfizer com a BioNTech é a única autorizada para aplicação em adolescentes de 12 a 17 anos.

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