Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Distrito Federal está com 100% de seus leitos de UTI ocupados

Informação sobre lotação é do próprio governo. Ibaneis Rocha anunciou na semana passada a abertura de mais leitos de enfermaria para covid-19 em hospitais da capital

André Borges, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 18h10
Atualizado 10 de março de 2021 | 21h53

BRASÍLIA – Não há mais leito de UTI disponível em Brasília para tratamento de pacientes com covid-19. As informações são do próprio governo do Distrito Federal. Os dados atualizados até as 16h10 desta quarta-feira, 10, mostram que, dos 296 leitos para tratamento de adultos contra covid-19 disponíveis pela rede pública do DF, 99,6% estavam ocupados.

Mensagens enviadas por trabalhadores dos principais hospitais da capital federal dão conta de que há filas de mais de 20 horas para conseguir atendimento. Hoje, ao menos 214 pessoas esperam por uma vaga em UTI no DF, segundo dados obtidos pelo Estadão, com base em um levantamento com a Secretaria de Saúde.

A capital federal acumula 5.002 mortes por covid-19. Se considerado que o DF tem uma população de 3,005 milhões de pessoas, trata-se de um falecimento para cada 600 moradores. O número total de contaminações chega a 309.547 pessoas, mais de 10% de sua população do DF. Um total de 290.294 pessoas se recuperou da doença. 

Na semana passada, o governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou a abertura de mais 38 leitos de enfermaria para covid-19 no Hospital Regional da Asa Norte e mais dez no Hospital de Ceilândia.

Apesar disso e da situação na capital do País, Ibaneis afrouxou na sexta-feira, 5, mais uma vez, as medidas de combate à doença que ele havia determinado no fim de fevereiro. Em novo decreto, o governador liberou a reabertura de academias de esporte de todas as modalidades a partir da segunda-feira, 8. O governo também vai permitir aulas presenciais em todas as creches, escolas, universidades e faculdades da rede privada.

Erros

Na avaliação do especialista Anderson Sena Barnabé, doutor em epidemiologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Cruzeiro do Sul, o cenário de colapso que também se espalha pelas demais capitais do País poderia ter sido evitado.

“As flexibilizações quanto às medidas de contenção, decisões políticas inadequadas quanto a tratamento precoce, uma falta grotesca de comunicação entre governo federal e Estados e uma falta de estratégia quanto à vacinação foram fatores culminantes que se reflete no quadro atual”, afirma.

A alta taxa de mortalidade em decorrência da covid-19 em Brasília, diz o biólogo, mostra que o quadro epidemiológico da doença ainda está longe de ter uma amenização. 

“Outro fator agravante se refere ao número de leitos ocupados junto às UTIs nas capitais. Houve sérias negligências sanitárias após o curto tempo de ‘respiro’ que a epidema deu no fim do ano passado. Vemos a expansão da doença em todo o Brasil, chegando a colapsar até a rede privada”, comenta Barnabé.

A falsa impressão de que a epidemia estava em cdeclínio fez com que a população também fizesse sua parte nessa tragédia, diz o especialista. “Aglomerações, relaxamento nas medidas protetiva e a falta de educação em saúde, muito refletida da visão distorcida das lideranças políticas e sociais que jogaram gasolina na fogueira da epidemia.”

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