Dívidas geram estresse e dezenas de doenças crônicas

Problemas como úlceras, depressão severa e ataques cardíacos foram encontrados ligados ao débitos nos EUA

AP

09 de junho de 2008 | 20h39

O estresse de crescentes dívidas está se tornando o crescente dor de cabeça - e nas costas e no estômago - para milhões de pessoas.  Quando alguém está lidando com montanhas de débitos, ela se torna muito mais vulnerável a problemas de saúde, de acordo com uma pesquisa da Associated Press-AOL Health nos Estados Unidos. E não são problemas pequenos: úlceras, depressão severa e até ataques cardíacos.  Tome o exemplo de Edward Driscoll, de 38 anos. Ele culpa suas dívidas de US$ 10 mil (R$ 16,3 mil) por suas úlceras e pelos ataques de pânico de sua mulher, Kimberly. "Só preocupações, preocupações, você sabe, de onde vai sair o próximo pagamento", ele diz.  Embora a maior parte das pessoas pareça lidar com suas dívidas bem, talvez de 10 a 16 milhões delas estejam "sofrendo terrivelmente devido a seus débitos, e sua saúde provavelmente será negativamente afetada por isso", disse Paul J. Lavrakas, pscicólogo e consultor da AP que analisou os resultados da pesquisa. Essas são as pessoas que apresentaram alto nível de estresse devido às dividas e sofreram de pelo menos três doenças relacionadas, ele disse.  Essa conclusão se baseia em pesquisas médicas que ligam o estresse a diversas doenças.  A difícil situação econômica atual e os crescentes custos de vida parecem estar levando ao aumento do estresse por dívida, 14% mais alto este ano que em 2004, de acordo com um índice ligado à pesquisa AP-AOL. Entre as pessoas que relataram alto estresse por divida na nova pesquisa: - 27% tinham úlceras ou problemas no trato digestivo; comparados a 8% entre os de baixo nível de estresse.  - 44% tinham enxaquecas ou dores de cabeça de outro tipo, comparados a 15% - 29% sofriam de ansiedade severa, comparados a 4% - 23% sofriam de depressão severa, comparados a 4% - 6% reportaram ataques cardíacos, o dobro da taxa daqueles com baixo estresse.  - Mais da metade, 51%, apresentavam tensão muscular. Isso comparado a 31% daqueles com baixa taxa de estresse.  Pessoas que reportaram altos níveis de estresse também eram muito mais vulneráveis a problemas de sono e concentração e mais propicias a se aborrecerem sem um bom motivo. Não se sabe ao certo se o estresse está causando esses problemas de saúde, disse Lavrakas, que ajudou a desenvolver o índice para medição da extensão do estresse para pessoas endividadas.  No entanto, pesquisas médicas sugerem que a maior parte dos sintomas reportados nesta pesquisa são típicos de estresse crônico. O corpo reage liberando adrenalina e o hormônio do estresse, a cortisona. Isso ajuda as pessoas a reagirem rápido em casos de emergência, mas se o corpo permanece muito tempo nesta marcha, os químicos provocam danos físicos em diversos sistemas - tudo, desde pressão alta, problemas de memória, humor, digestão e até no sistema imunológico.  A pesquisa AP-AOL fez entrevistas pelo telefone com 1002 adultos de todos os estados, menos Alasca e Havaí, do dia 24 de março até o dia 3 de abril e tem uma taxa de erro de 3,1% para cima ou para baixo.

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