'DNA lixo' ajuda moscas a se desenvolverem corretamente, diz estudo

Instruções aparentemente redundantes fizeram falta quando embrião foi submetido a condições adversas

estadao.com.br

16 Julho 2010 | 16h50

Instruções repetidas e redundantes encontradas no DNA de moscas ajudam o inseto a se desenvolver corretamente em condições adversas, ao garantir que os genes sejam ativados e desativados no momento adequado.

 

Se regiões semelhantes forem encontradas no DNA humano, elas podem conter pistas importantes para o estudo de problemas no desenvolvimento embrionário, dizem os autores da pesquisa, que será publicada na revista Nature

 

O estudo vem se somar ao volume crescente de indícios sugerindo que o chamado "DNA lixo", que recebeu o nome por não conter genes, ou instruções para a produção de proteínas, não é descartável. A região do material genético que não codifica a produção de moléculas é grande. Em humanos, 98% do genoma tem a característica de "lixo".

 

De acordo com David Stern, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade Princeton, cientistas cada vez mais acreditam que o "DNA lixo" é crucial para transformar a informação codificada nos genes em produtos úteis.

 

"Nos últimos dez a 20 anos, pesquisadores vêm mostrando que as regiões de instruções fora da região de codificação de proteínas são importantes para  regular quando os genes são ligados e desligados", disse Stern, principal autor do artigo.

 

"Agora estamos determinando que cópias adicionais dessas instruções genéticas são importantes para manter a função genética estável mesmo em um ambiente variável, para que os genes produzam o material correto para o organismo se desenvolver normalmente".

 

Stern, juntamente com Nicolás Frankel e colaboradores, focalizou a atenção em regiões do genoma chamadas acentuassomos. Essas regiões desempenham um importante papel no processo pelo qual a informação codificada nos genes é usada para dirigir a síntese de proteínas.

 

Quando os acentuassomos foram descobertos, os cientistas imaginaram que eles sempre se localizavam perto dos genes que regulam. Mas, em 2008, descobriu-se a existência de acentuassomos secundários em um tipo específico de mosca, localizados a uma grande distância do gene alvo.

 

Nos experimentos recentes, a equipe de Stern apagou dois acentuassomos distantes, deixando os primários no lugar, e observou o desenvolvimento de embriões de mosca sob diversas temperaturas. Em condições ideais para a mosca, de 25º C, os embriões sem acentuassomos secundários apresentaram apenas pequenos defeitos. Mas nas temperaturas limite para a sobrevivência do embrião - 17º C no mínimo e 32º C no máximo - as moscas sem acentuassomos secundários apresentaram graves deficiências.

 

"Esses resultados indicam que a instrução genética que parecia confiável em temperaturas ótimas não estavam à altura da tarefa em condições diferentes", disse Stern.

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