Doadores de medula vão poder se cadastrar pela internet a partir de 2011

Hoje inscrição é feita pelos hemocentros; pessoas de 18 a 55 anos podem ajudar pacientes

Agência Brasil

05 Novembro 2010 | 21h02

BRASÍLIA - A partir de janeiro de 2011, o coordenador do Registro Nacional de Doares de Medula Óssea (Redome) do Instituto Nacional de Câncer (Inca), hematologista Luis Fernando Bouzas, espera colocar em funcionamento um sistema de informática que permitirá o cadastramento de doadores pela internet.

Hoje, o acesso é pelo e-mail redome@inca.gov.br. O cadastro é feito por meio dos hemocentros. O Redome está com telefone novo (21 3207-5238) desde o último dia 2. Bouzas destaca a importância da atualização dos dados dos doadores no caso de eles serem chamados a doar sangue para pacientes compatíveis. O telefone serve para obter informações sobre o processo e tirar dúvidas de pessoas interessadas em doar medula.

Já os pacientes que precisam buscar doador são inscritos, via internet, no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme) por seus médicos. Qualquer pessoa na faixa etária dos 18 aos 55 anos pode se inscrever como doadora. Para tanto, em um primeiro momento, deve fornecer seus dados pessoais e fazer a coleta de uma amostra de sangue.

Isso permitirá que o Inca realize testes para determinar a característica genética de cada doador. As informações serão mantidas no banco de dados do Redome e cruzadas posteriormente com os dados dos pacientes. A pessoa cadastrada pode ser chamada para a doação até completar 60 anos.

Bouzas esclarece que a coleta da medula óssea não representa nenhum risco para os voluntários. “É um procedimento seguro. O doador não sofre nenhum tipo de problema ou sequela. Não é tirado nenhum pedaço dele, já que a medula óssea é aquele material líquido, gelatinoso, parecido com o sangue, que tem dentro dos ossos. Não tem nada a ver com a medula espinhal ou sistema nervoso central", explica.

O médico garantiu que a coleta é um procedimento simples. Em três ou quatro dias, a pessoa pode voltar às suas atividades normais. “Não há razão para ficar com medo. Mais de 50 mil transplantes são realizados por ano em todo o mundo”, afirma. Bouzas lembra que a doação de medula pode salvar vidas. “A gente conta com a solidariedade da população para participar do registro."

A doação de medula óssea é vetada, entretanto, a quem teve ou tem doenças transmissíveis pelo sangue, como hepatites B e C ou aids. Também não se pode ter nenhum tipo de câncer, doenças infecciosas ou ligadas à medula óssea. Segundo Bouzas, há cerca de 70 doenças indicadas para transplante de medula. Entre elas, leucemias agudas e crônicas, linfomas, anemias graves e congênitas.

De acordo com o Inca, 30% dos pacientes têm um doador compatível na família, que em geral é um irmão. Os restantes 70% não encontram doador parental e dependem do cadastro do Redome.

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