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Dobra número de casos de dengue no Brasil; SP puxa crescimento

No Estado, alta de registros é de 697%, segundo boletim do Ministério da Saúde

Fabiana Cambricoli e Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

06 Março 2015 | 14h51

Atualizada às 21h52

SÃO PAULO - O Brasil registrou nas oito primeiras semanas de 2015 mais do que o dobro de casos de dengue notificados no mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira, 6, pelo Ministério da Saúde. Até 28 de fevereiro, foram comunicados 174.676 casos suspeitos, média de dois por minuto. Em relação aos dois primeiros meses de 2014, quando tiveram 73.135 notificações, a alta é de 139%. O Estado de São Paulo concentra 54% do total de casos do País.

O aumento no Brasil é puxado pela alta de casos observada em São Paulo, que também lidera em número de mortes por complicações da doença. Nesta sexta, foi confirmado o primeiro óbito por dengue na capital paulista. A vítima é uma mulher de 84 anos, moradora da Freguesia do Ó, na zona norte, região da cidade com a maior incidência da doença neste ano. Segue em investigação a morte de um homem de 88 anos, morador da Penha, na zona leste.

Em todo o Estado, já são 32 mortes confirmadas, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde. No mesmo período do ano passado, foram cinco.

“Nem na epidemia de dengue que tivemos no Rio, anos atrás, houve porcentual de mortes tão alto. Isso significa que as unidades de saúde de alguns municípios, principalmente do interior paulista, não estão seguindo os protocolos de atendimento corretos na chegada de um caso suspeito”, disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro, durante a apresentação dos dados.

Estado. Em relação ao número de casos em São Paulo, o crescimento entre 2014 e 2015 foi de 697%. No período analisado, os municípios paulistas somaram 94.623 registros da doença, ante 11.876 nos dois primeiros meses do ano passado. Até agora, o Estado concentra 54% do total de casos do País. É a terceira maior taxa de incidência do Brasil, atrás de Acre e Goiás.

Chioro afirmou que a alta de casos no Brasil e em São Paulo se deve a três principais motivos: as altas temperaturas que favorecem a proliferação do mosquito, o armazenamento de água sem proteção por causa da crise hídrica e falhas de algumas prefeituras na ação de combate à doença. “Tem regiões que não estão fazendo a lição de casa, tanto na prevenção como no atendimento a casos suspeitos. O período de seca é uma agravante, mas não podemos colocar a culpa em São Pedro se não fizermos a prevenção.”

O ministro se reuniu na tarde desta sexta com o secretário estadual da Saúde, David Uip, para definir estratégias de combate à doença, entre elas a distribuição, nas unidades de saúde paulistas, de folhetos informativos com o protocolo a ser seguido durante atendimento de um caso suspeito. Também serão feitas capacitações com funcionários do sistema de saúde.

Capital. Na cidade de São Paulo, o número de casos também aumentou, passando de 1.440 para 2.708. No Jardim Paulistano, região da Brasilândia, zona norte, um dos distritos mais afetados pela dengue, oito casas de uma rua tiveram moradores contaminados. Em uma delas, três membros da mesma família contraíram simultaneamente a doença. “Ficaram os três de cama por 15 dias, sentindo dor no corpo, olhos, cabeça e com febre alta”, conta a dona de casa Lucimar Rosa Chaves, de 38 anos. O marido Luciano Alves, de 40, e a filha, Andressa Alves, de 17, também adoeceram. 

Em suspeita de dengue, o professor de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) Fredi Diaz alerta para o perigo da automedicação. “As pessoas devem evitar se automedicar. Pode não ser dengue. E se for, há complicações associadas a medicamentos como aspirina e dipirona.” 

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