Tosse crônica ou pigarro podem ser sintomas de doença pulmonar silenciosa

AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Conteúdo Patrocinado

Tosse crônica ou pigarro podem ser sintomas de doença pulmonar silenciosa

Diagnóstico e tratamento precoces são essenciais para minimizar a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ou DPOC, que pode se tornar a terceira principal causa de morte no mundo até 2030, segundo a OMS

GSK, Media Lab Estadão
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

06 de janeiro de 2020 | 15h52

Quando recebeu o diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) em 2013, a aposentada Sônia Aparecida Ribeiro, 64 anos, já não conseguia executar bem algumas atividades básicas do dia a dia. Tomar banho, lavar louça, passar roupa ou pano na casa tornaram-se difíceis. A falta de ar e o cansaço viraram rotina, e ela, que até então era faxineira, precisou parar de trabalhar. “O médico clínico me encaminhou para o pneumologista, que realizou alguns exames e descobriu a DPOC”, conta.

Estima-se que a doença que acometeu Sônia afete até sete milhões de pessoas no Brasil1,2, de acordo com um estudo feito em três cidades da América Latina: São Paulo, Santiago e Montevidéu. Ela age silenciosamente e apresenta sintomas como tosse, crises de falta de ar, pigarro e cansaço excessivo3. Até 2030, pode se tornar a terceira principal causa de morte no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS)4.

O principal fator de risco é a exposição, ainda que de forma passiva, à fumaça do cigarro, seguido de poluição e contato com os ares proveniente da queima de biomassa, como acontece em fogões à lenha. “O tabagismo deve ser visto também como uma doença respiratória que tem tratamento. Ele está diretamente ligado à DPOC”, diz o médico Oliver Nascimento, coordenador do programa de pós-graduação em pneumologia na Universidade Federal de São Paulo e especialista da GSK, companhia farmacêutica multinacional.

Nascimento foi um dos médicos convidados para uma mesa-redonda sobre a DPOC transmitida ao vivo na TV Estadão no último dia 25 (assista abaixo). Também esteve presente no programa o pneumologista Flávio Ferlin Arbex, professor da Universidade de Araraquara e responsável pela comissão de DPOC da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia.


 

Diagnóstico e tratamento da DPOC

A falta de ar constante, chamada de dispneia pelos médicos, é um dos primeiros sintomas a se manifestar, prejudicando as estruturas do sistema respiratório. “As pessoas começam a deixar de fazer coisas que antes faziam. Deixam de ir à padaria andando e começam a ir de carro, deixam de subir escadas para ir de elevador. As pessoas vão se autolimitando e deixam de perceber a sensação de falta de ar”, conta Arbex.

Nos consultórios, os relatos de quem é afetado pela DPOC costumam ser semelhantes aos de Sônia. Os pacientes começam a apresentar os sintomas por volta dos 40 anos de idade, contudo, em alguns casos só decidem procurar o pneumologista por volta dos 50 ou 60 anos5. Para Arbex, isso é grave, pois a DPOC pode surgir, ainda que de forma silenciosa, na infância entre aqueles que têm pais fumantes ou são expostos a outros tipos de fumaça no cotidiano.

Nascimento esclarece ainda que a doença pulmonar obstrutiva crônica é popularmente conhecida como enfisema pulmonar ou bronquite crônica, mas em alguns casos pode ser confundida com asma ou tuberculose. “Ela tem como característica a obstrução da saída do ar. A pessoa que fuma tem inflamação nos brônquios e os alvéolos se destroem. Muita gente conhece essa doença por esses dois nomes, mas hoje [na medicina] chamamos de DPOC”.

De acordo com Arbex, quanto mais grave a doença, pior será a falta de ar, a ponto de o paciente apresentar os sintomas ao fazer uma refeição, trocar de roupa ou andar um quarteirão. Nos piores quadros, o balão de oxigênio é utilizado para auxiliar. “Os fatores são bem limitantes em alguns casos, por isso tentamos interferir da maneira mais rápida possível para evitar que evolua dessa forma”, diz Arbex.

O especialista destaca ainda que o esforço pode levar a exacerbações, que são crises pulmonares com piora na tosse, catarro ou falta de ar, podendo levar o paciente à morte. Um estudo6 feito em oito países, incluindo o Brasil, revelou que 61% dos pacientes com DPOC reportaram visitas à emergência médica por agravamento do quadro de sintomas e 25% reportaram ao menos uma hospitalização causada por crises graves.

Por isso, alertam os médicos, o diagnóstico precoce é tão essencial. “Tosse e catarro são os primeiros sintomas. Só depois surge a falta de ar, devagar”. Além disso, aponta o médico, engana-se quem pensa que é normal ter pigarro pela manhã, especialmente aquele causado pelo cigarro. “Quem tem tosse crônica ou pigarreia já apresenta um sintoma da doença que precisa ser observado e levado a um médico para fazer o diagnóstico”, diz Nascimento.

A análise correta deve ser realizada através de um exame chamado espirometria, no qual o paciente sopra um equipamento tubular que mede a função pulmonar e o fluxo de ar nos pulmões. Ele pode ser encontrado em consultórios médicos de redes públicas e privadas de saúde e tem sido cada vez mais incentivado para quem apresenta os fatores de risco. “Não é invasivo, é indolor e com ele podemos fazer um diagnóstico correto”, ressalta o médico. A indicação é que seja realizado de forma preventiva, uma vez ao ano, visto que não pode ser feito durante as fases de crise respiratória.

Tratamentos em modernização

A DPOC ainda não tem cura, mas, uma vez diagnosticada, pode ser controlada de maneira eficaz, e tanto Nascimento quanto Arbex são categóricos: parar de fumar ou afastar-se de ambientes com fumaça é o primeiro passo para evitar o pior e melhorar a qualidade de vida. Em seguida, o paciente deve buscar um tratamento medicamentoso com inalatórios que agem diretamente nos pulmões, retomar as atividades físicas com exercícios leves e prevenir-se com vacinas contra influenza e pneumonia. “O mais importante é tratar precocemente para evitar o avanço da doença”, aponta Nascimento.

Os inalatórios, conhecidos como “bombinhas”, incluem três classes de medicamentos, sendo dois tipos de broncodilatadores e um de corticoide. Há poucos anos, era necessário usá-los separadamente, mas com a modernização da medicina e farmacêutica já é possível individualizar o tratamento através da união das três classes farmacológicas em apenas uma bombinha, que pode ser utilizada uma única vez ao dia com eficácia.

Para Nascimento, esse tipo de facilidade melhora a aderência ao tratamento, visto que uma das dificuldades de pacientes crônicos é manter a rotina por um longo período. “As pessoas começam a sentir menos falta de ar e pensam que estão curadas, abandonando o medicamento. Outras acham que a bombinha faz mal para o coração ou gera dependência, mas isso não existe. As medicações inalatórias são muito seguras, testadas e liberadas mundialmente. A melhora acontece porque o medicamento está funcionando”, afirma Nascimento.  

Para os pacientes em estágio grave, como Sônia, a reabilitação pulmonar também é indicada. Desde que iniciou o tratamento com medicação e reabilitação, ela não tem mais crises graves ou de longo prazo. O atendimento acontece três vezes por semana, com acompanhamento psicológico e de terapeuta ocupacional. “Tudo para auxiliar a superar as dificuldades físicas e emocionais no dia a dia”, completa a aposentada.


NP-BR-CPU-PRSR-190001 – Dezembro/2019


Referências:

  1. Perez-Padilla, R. et al. Reliability of FEV1/FEV6 to Diagnose Airflow Obstruction Compared with FEV1/FVC: The PLATINO Longitudinal Study. PLOS ONE, 8 (8): e67960, 2013.
  2. BRASIL. IBGE. Projeção da população do Brasil e das Unidades da Federação. Disponível em: . Acesso em: 24 out. 2019.
  3. NHS Choices. Symptoms of COPD. Disponível em:
  4. OMS. Chronic respiratory diseases: Chronic obstructive pulmonary disease (COPD). Disponível em: .
  5. VANDEVOORDE, J. et al. Early detection of COPD: A case finding study in general practice. Respir Med., 101(3):525-530, 2007.
  6. LANDIS, SH. et al. Continuing to Confront COPD International Patient Survey: methods, COPD prevalence, and disease burden in 2012-2013. Int J Chron Obstruct Pulmon Dis, 6(9):597-611, 2014.
Tudo o que sabemos sobre:
saúde públicaPulmão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.