TesaPhotography/Pixabay
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Doenças não transmissíveis custam R$ 7,5 bilhões aos cofres públicos por ano

Informe da OMS aponta para riscos de câncer e diabete. Mas entidade não consegue chegar a um entendimento sobre aumento de impostos sobre o açúcar

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2018 | 10h15

GENEBRA - Somando quase 1 milhão de mortes por ano no Brasil, doenças como o câncer e a diabete, além de outras doenças não transmissíveis custam ao sistema de saúde nacional um total de R$ 7,5 bilhões ao ano.

Nesta sexta-feira, na esperança de frear essa explosão de custos e de mortes, a Organização Mundial de Saúde lançou uma lista de recomendações e políticas em que apresenta estratégias para que os países possam combater essas doenças. A estratégia foi elaborada por 26 especialistas e chefes-de-estados, entre eles o Tabaré Vázques, do Uruguai, e Michele Bachellet, do Chile. 

 

Para o grupo, não existe vontade política suficiente para lidar com essas doenças, mesmo diante da produção científica que aponta para o peso que elas representam na sociedade e nas contas do estado. 

O problema não se limita ao Brasil. No mundo, essas doenças matam 41 milhões por ano, o que representa 70% de todas as mortes do mundo. Em termos financeiros, seus tratamentos podem custar para a economia global US$47 trilhões até 2030.

Na avaliação da entidade, os 78 países mais pobres poderiam salvar 8 milhões de vidas até 2030 se investissem US$ 1,27 extra por cidadão a cada ano e prevenção e tratamento de doenças crônicas. Com esse investimento, os governos conseguiram economizar US$ 350 bilhões em seus serviços de saúde. 

Açúcar

Apesar das recomendações, não houve um acordo entre os especialistas sobre como responsabilizar o setor privado por práticas como o grau de açúcar nos produtos ou um monitoramento mais detalhado. 

Tampouco houve um acordo sobre elevar impostos sobre refrigerantes e ao açúcar. Há dois anos, a OMS recomendou uma elevação de 20% nos impostos para refrigerantes, como forma de combater diabete, obesidade e outras doenças.  

"Não tivemos um acordo sobre a recomendação de elevar impostos sobre refrigerantes, doces e outros alimentos", admitiu Sania Nishtar, co-presidente da iniciativa. Ela, porém, se recusou a dar os nomes dos comissários que votaram contra a elevação de impostos. 

Para Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, sua entidade "não mudará" a posição da agência sobre o fato de ser favorável a um aumento de impostos sobre refrigerantes e outros produtos como forma de reduzir certas doenças. 

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"O objetivo do relatório é traçar orientações práticas que ajudem os países a cumprirem a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que recomenda reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis por meio de prevenção e tratamento para promover a saúde mental e o bem-estar da população", indica a OMS, em um comunicado. 

Entre as medidas, o grupo pede que líderes políticos municipais, estaduais e nacionais assumam a responsabilidade por ações locais abrangentes. A iniciativa também sugere que governos adotem uma lista de prioridades e que, acima de tudo, fortaleçam a cobertura universal de saúde e reorientar os sistemas de saúde para incluir a promoção da saúde, a prevenção e controle de doenças não transmissíveis e serviços de saúde mental em suas políticas e planos estratégicos.

O grupo de especialistas também pede que governos e a comunidade internacional destinem "mais financiamento para o combate às doenças não transmissíveis, estabelecendo um novo paradigma econômico para investimentos em ações de seu controle". 

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